A corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministra Eliana Calmon, encerrou sua gestão na última terça-feira com sentimento de frustração no combate às ''maçãs podres'' do Judiciário. Considerada rigorosa durante seu mandato de dois anos no cargo, Eliana não conseguiu abrir processos contra juízes e desembargadores suspeitos de envolvimento com omissões, irregularidades e atos de corrupção.
A polêmica mais emblemática desse período foi quando a corregedora desentendeu-se com integrantes das cúpulas dos tribunais de Justiça. Na ocasião, Eliana afirmou que havia ''bandidos de toga'' no Judiciário, numa alusão à corrupção que ronda os bastidores dos tribunais sem qualquer punição. A frase rendeu acalorado bate-boca com o então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, que tachou a acusação de leviana. No fundo da questão, estava a resolução do CNJ que aumentou o controle sobre os processos administrativos contra magistrados.
Nesse poder à parte da sociedade, a transparência ainda está longe de ser alcançada. A corregedora investigava a incompatibilidade de rendimentos com o patrimônio de certos magistrados. Um desembargador do Mato Grosso do Sul não conseguiu justificar sua evolução patrimonial de R$ 33 milhões em apenas cinco anos. Pedidos de vistas dos processos a impediram de tomar providências.
Em sua despedida, Eliana disse ter conhecido ''as entranhas do Judiciário'' durante suas inspeções nos tribunais por todo o País. A corregodora voltou a mostrar firmeza de caráter ao resumir o que o cidadão espera da magistratura: ''O juiz deve ser respeitado pelo que ele faz. Ele é um prestador de serviço. Chega de falar que o juiz tem de ser reconhecido pela sociedade porque é juiz''.
O cargo de corregedor agora pertence a Francisco Falcão e, a julgar pelo seu discurso de posse, pode-se esperar a mesma determinação da antecessora no combate ao desvio de conduta dos magistrados. ''A maioria dos juízes é de pessoas boas. Nós temos uma meia dúzia de vagabundos. E essas pessoas nós precisamos tirar do Judiciário'', afirmou ele, num claro indício de que os maus juízes serão apartados do poder. São atitudes como estas que a sociedade espera de quem tem a missão de fazer justiça.

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