A desarticulação de três quadrilhas que dominavam o tráfico de drogas na região de Londrina merece destaque. Depois de 11 meses de investigações, o saldo da ‘‘Operação Liberdade’’ – deflagrada simultaneamente em Londrina, Cambé, Foz do Iguaçu e Florianópolis – foi de 23 pessoas presas, apreensão de grande quantidade de drogas, 12 veículos, além de R$ 30 mil em dinheiro e bloqueio de R$ 50 mil em ativos financeiros dos traficantes. Os grupos atuavam separadamente nas zonas Norte, Sul e Leste da cidade e chegavam a comercializar cerca de 100 quilos de entorpecentes por ano.
  Apesar da ação positiva, cabe salientar que o combate ao tráfico de drogas ou aos homicídios carece de iniciativas efetivas e constantes. Operações integradas de vários órgãos de repressão, como as polícias Federal e Civil e Receita Federal, devem ser realizadas com frequência. Até porque balanço divulgado recentemente pela Receita Federal aponta para uma queda nas apreensões. A quantidade de drogas e entorpecentes recolhidos caiu 8% no ano passado na comparação com 2010.
  O tráfico de drogas é um negócio altamente rentável, uma vez que estimativas indicavam que os traficantes lucravam cerca de 400% com a revenda. Portanto, é natural que novos líderes queiram ocupar o lugar dos que foram presos. O comércio de drogas geralmente está presente em bairros de baixa renda e aliciam crianças para o ‘‘trabalho’’ desde cedo. Por isso, a importância da oferta de atividades culturais e esportivas no contraturno escolar. Desta forma, crianças e jovens sairiam das ruas, o que reduziriam as chances de aliciamento.
  Outra ação que pode contribuir é garantir maior visibilidade ao ‘‘Disque-Denúncia’’. Sob a condição do anonimato, a população tem que ser estimulada a denunciar as práticas criminosas. Telefones e formas de contato devem ser amplamente divulgadas.
  As substâncias ilícitas são um mal que corroem a sociedade, destróem famílias e contribuem para aumentar a violência como um todo. Números do Sistema Único de Saúde revelam a escalada do consumo. Entre 2003 e 2011 a média mensal de atendimentos passou de 25 mil para 250 mil. Recentemente o governo lançou plano de enfrentamento às drogas e estão previstos investimentos de R$ 4 bilhões. Por isso, é importante que a sociedade se articule para cobrar celeridade na implementação desse plano.

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