A cifra movimentada pelo crime organizado em todo o mundo - mais de US$ 870 bilhões ou R$ 1,74 trilhão por ano - divulgada ontem pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, dá a exata dimensão do tamanho do ''negócio''. É um mal presente em todo o mundo, cuja movimentação corresponde a 1,5% do Produto Interno Bruto global, a 7% do total das exportações mundiais ou a seis vezes o valor oficial de ajuda ao desenvolvimento. No entanto, nesse caso, não há benefícios. Pelo contrário, os prejuízos também são astronômicos e atingem toda a sociedade. Estimativas indicam que as atividades ilícitas mais lucrativas são o tráfico de drogas (US$ 320 bilhões), as falsificações de mercadorias (US$ 250 bilhões) e o tráfico de pessoas (US$ 32 bilhões).
A partir da divulgação desses dados, a ONU lançou campanha de conscientização sobre os malefícios do crime organizado. E, de fato, todos têm que ser envolvidos pela iniciativa. Os usuários de drogas ilícitas, por exemplo, têm que estar conscientes do tamanho da cadeia criminosa que é movimentada ao acender um baseado ou ao utilizar drogas consideradas ''mais pesadas''. O mesmo tem que ocorrer quando um consumidor compra um filme, um CD, um relógio ou um aparelho eletrônico pirateado.
No caso do consumo de drogas o problema é gravíssimo porque multiplica-se em gastos extras aos governos para tratamento de dependentes. Além disso, as consequências são sentidas por toda a sociedade, seja pela desestruturação de famílias, aumento da ocorrência de crimes, uma vez que os dependentes são levados à prática de furtos e roubos, por exemplo; ou pelo aumento de mortes geradas pelo tráfico ou pelo uso de drogas. Já o consumo de produtos falsificados também provoca graves prejuízos à indústria e ao comércio formalizados. Deixa de arrecadar impostos e de gerar emprego e renda a um maior número de trabalhadores. Além disso, estimulam a prática de outros crimes como corrupção, extorsão e violência.
A luta contra o crime organizado tem que ser constante e abraçada por todos. É um dos maiores desafios da comunidade internacional e, talvez, seja o momento de pensar no desenvolvimento de campanhas de combate integradas entre os países, inclusive com sanções aos Estados que deixarem de colaborar ou que fizerem ''vistas grossas''. Como foi mostrado, o problema é de todos e, por isso, o envolvimento também deve ser.

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