O Dia Nacional de Combate ao Contrabando, lembrado neste sábado (3), chama a sociedade para refletir sobre a participação dela no crescimento desse tipo de transgressão, que onera os cofres públicos, coloca em risco a saúde da população e ajuda no fortalecimento do crime organizado. E isso inclui o cigarro, um dos itens mais contrabandeados no Brasil, situação que se repete em Londrina.

Segundo um balanço realizado pela delegacia local da Receita Federal, dos R$ 45,5 milhões em mercadorias apreendidas na região de Londrina ao longo de 2017, R$ 43 milhões corresponderam a cigarros que entraram ilegalmente no País. Segundo o órgão, que é subordinado ao Ministério da Fazenda, os valores relacionados ao total de produtos contrabandeados saltaram 422% na região: de R$ 8,7 milhões (em 2016) para R$ 45,5 milhões (em 2017).

Reportagem da FOLHA publicada na edição deste fim de semana mostra que o barracão da Receita no município está ocupado, em grande parte, por milhares de caixas de cigarros que foram apreendidas. O espaço ocupado por eletrônicos, celulares, itens de informática, drones e outras mercadorias é bem menor. É um grande desafio coibir esse tipo de delito no Brasil, crime que cresceu muito nos últimos anos em consequência da crise econômica e da localização estratégica dos municípios da região.

O Norte do Paraná é rota de quem traz contrabando do Paraguai, saindo de Foz do Iguaçu em direção a São Paulo. Mas novas estratégias de fiscalização também podem estar ajudando na apreensão. Após os cigarros contrabandeados, os produtos mais apreendidos em Londrina são bebidas, eletrônicos, informática e brinquedos.

O contrabando não é um crime menor, insignificante, como muitos pensam. O prejuízo financeiro não se resume ao imposto sonegado, mas o Estado gasta com armazenamento e a destinação correta dos produtos. Além disso, quem garante que o contrabandista de cigarro não é o mesmo que também enriquece com o tráfico de drogas e armas?

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