Combate à dengue, responsabilidade de todos
A negligência com a saúde pública, no Brasil, tem sido endêmica, e o que agora ocorre com a epidemia da dengue é bem um retrato desta peculiariedade nacional. Mas não basta, no momento, ater-se a essa crítica, porque há ações mais urgentes a tomar, como uma cruzada envolvendo toda a população brasileira para combater o mosquito vetor da doença. O que compete aos governos será fiscalizar os domicílios e equipar os hospitais para atender à urgência de tantos casos, que irromperam de maneira mais violenta no Rio de Janeiro mas ocorrem em todo o País e, no geral, afetam o mundo inteiro há pelos menos duas décadas.
A hora exige a participação de todos, e um modo já é do conhecimento geral: eliminar os focos de águas paradas, onde o mosquito Aedes aegypti se desenvolve. Óbvio que também nessa campanha preventiva é fundamental a participação dos órgãos públicos. Tudo o que se fizer pela causa se justifica, incluindo a punição aos cidadãos negligentes.
É preciso redobrar o número de fiscais que vão às residências, e essa tarefa tem de ser facilitada por todos, porque há casos de famílias que não abrem as portas de suas propriedades para a fiscalização, conforme denúncias já publicadas.
Ainda não se descobriu uma vacina eficaz contra a dengue, porque seu vírus ainda não foi isolado, e aí sim houve imprudência dos governos e das instituições pertinentes, porque já transcorreram 20 anos da existência desse mal e as pesquisas são ainda de baixos resultados. Nessa parte que competiu aos governos e aos pesquisadores houve descaso, talvez porque não se imaginava que a dengue virasse epidemia, agora mais difícil de controlar.
Se a situação exige mobilização geral - porque não é momento para muito discurso e mais para ação imediata e intensificada - não pode passar em branco a realidade de que houve, antes da gravidade de agora, uma diminuição de recursos públicos para programas de combate ao mosquito, conforme denúncia do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro.
A epidemia é progressiva, porque quanto mais pessoas contaminadas, mais propensão haverá a que, por via desse inseto, outras sejam infectadas. Como existem quatro tipos de vírus, se a pessoa é atingida por um deles e mesmo que se cure, continuará sujeita aos demais. (A transmissão só ocorre quando o mosquito adquiriu o vírus por haver picado uma pessoa portadora da doença e picar outra).
A conclamação, além da que se faz aos poderes públicos, é que cada família e cada cidadão façam a sua parte e levem ao extremo a responsabilidade de eliminar as águas paradas, até porque as primeiras vítimas são as que estão mais próximas.





