Com 34 casos de dengue confirmados este ano em Londrina, o alarme voltou a disparar. Impossível não recordar o pesadelo de 2003, quando ocorreram 7.410 casos da doença e dois óbitos. A secretária municipal de Saúde, Josemari de Arruda Campos, não esconde: a situação é grave e pode piorar.

Londrina já vive uma epidemia?
Não, mas existe um risco muito sério. Estamos vivenciando um pequeno surto de dengue na região do Lindóia. Mas, do ponto de vista epidemiológico, não temos a dimensão exata do que significa isso, já que o número de notificações ali foi pequeno (oito). Porém, pode haver outros casos que não chegaram a ser notificados.

A situação pode se igualar ou até piorar em relação a 2003?
Há quatro tipos de vírus, os chamados DEN-1, 2, 3 e 4. Londrina já teve epidemias dos três primeiros. Portanto, ninguém está protegido contra o DEN-4. Se ele entrar no nosso município, onde muitos já foram infectados por dois ou três sorotipos, o risco de desenvolver formas mais graves da doença é maior.

Onde entra a dengue hemorrágica nessa história?
Por exemplo: se contraí no passado o DEN-2, posso ter apresentado apenas um quadro febril indiferenciado, mas desenvolvi anticorpos específicos para ele. Se, de repente, está circulando novamente o DEN-3, causador da epidemia de 2003, posso desenvolver nova infecção. Existem evidências de que, pela presença desse anticorpo anterior, a reação imunológica traz maiores riscos de ser uma situação devastadora para o organismo. É um quadro que pode se dar em horas, causar choque e levar à morte.

Então podemos ter medo?
Devemos ter. Provavelmente esse ritmo de calor e chuvas vai permanecer. É um clima que lembra o de 2003 e que é propício à proliferação do mosquito. Seu ciclo é muito rápido. A fêmea põe ovos, em contato com a água eles já eclodem, e, se tiver matéria orgânica para se alimentar, pronto: a larva vai crescendo, com três dias já virou pulpa e, no quinto, já virou mosquito.

Em anos anteriores se falou muito em multar quem ''mantém'' criadouros. Isso ainda está valendo?
Existe uma lei municipal que prevê isso e um grande número de pessoas foi multada, na faixa de R$ 50 até R$ 300. Foi extremamente polêmico. A multa ainda está valendo e é usada quando todos os recursos se esgotam, principalmente em casos de reincidência. Estamos preparados para isso, nossa ação nunca foi descontinuada. Só que, no decorrer de 2006, houve uma diminuição do número de criadouros e da infestação por conta da estiagem.

Esse período de aparente ''calmaria'' não fez com que o Poder Público relaxasse?
De forma alguma. Ocorre uma diminuição natural da divulgação da doença, até porque nos meses mais frios entram outras pautas de interesse, como meningite, gripe, rotavírus. Mas nossa ação nunca parou. O prefeito Nedson (Micheleti) tem como prioridade o combate à dengue. Também não há por que se preocupar quanto a técnicas de aplicação do fumacê, pois o processo é muito controlado. Temos uma assessoria de técnicos de gabarito e seguimos todas as normatizações do Ministério da Saúde.

Quais os maiores vilões, atualmente?
O entulho já foi o primeiro no ranking. Desde 2005, predominam os vasos de planta. As pessoas insistem, mesmo tendo acesso a informação. É tão intrigante, que há teses de mestrado, doutorado e estudos da própria Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre o tema. Por isso, é necessário que se cobre atitude das pessoas, que se pergunte: Afinal de contas, um filho seu terá que ser internado ou uma pessoa querida terá que morrer para começar a se mobilizar contra a dengue?

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