Brasília - O comando da campanha presidencial do PSDB está nervoso. Reunidos ontem com o candidato José Serra, líderes e dirigentes do partido concluíram que o fator decisivo para alavancar uma candidatura presidencial é o programa de rádio e TV. Tanto que Serra tomará pelo menos a metade dos 20 minutos do programa do partido, que será exibido em todo o País em 6 de maio. O drama é que o adversário Ciro Gomes, do PPS, tem 50 minutos de campanha eletrônica pela frente.
Para acelerar o crescimento de Serra nas pesquisas eleitorais, o comando tucano definiu que o candidato terá um discurso específico para cada Estado, abordando questões de interesse do eleitorado local. Mas isto é pouco diante do tempo farto que Ciro ameaça ocupar na TV, usando o horário gratuito destinado aos partidos que compõem sua aliança: PTB e PDT.
‘‘Isto é ilegal’’, concluíram os tucanos durante o almoço com o candidato. Mas como a punição para os infratores pode resumir-se apenas à cassação do horário gratuito do ano seguinte, o estrago já estará feito. Para evitá-lo, os tucanos decidiram consultar a Justiça.
A preocupação com o adversário não foi a única. Diante do resultado da última pesquisa do Ibope, considerado ‘‘péssimo’’ até por alguns tucanos, e dos rumores em torno de uma nova pesquisa, dando Serra em terceiro lugar na corrida presidencial, atrás do PT de Luiz Inácio Lula da Silva e do PSB de Anthony Garotinho, deputados da base governista reagiram mal. Pregaram abertamente a troca do candidato do PSDB no plenário da Câmara, ontem.
Os mais entusiasmados eram os pefelistas, que entoavam o coro em favor do presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), o Plano B arquivado pelo Palácio do Planalto. Mas o PFL não estava só. Ao deixar uma roda de líderes pepebistas, o deputado Gerson Peres (PPB-PA) afirmou insinuante, apontando para a Mesa do plenário: ‘‘Nosso candidato é o Aécio.’’ A articulação pró-Aécio estaria sendo comandada pelo ex-ministro e deputado Francisco Dornelles (PPB-RJ), primo do presidente da Câmara.
No caso do PSDB, os mais entusiasmados com a troca são os deputados Pedro Canedo, Jovair Arantes e Lídia Quinan. Aécio também tem entusiastas em sua Minas e em Pernambuco. O deputado Maurílio Ferreira Lima (PE), por exemplo, previa a desistência de Serra em 15 dias. Para o deputado Nilo Coelho (PSDB-BA), o movimento pró-Aécio deve-se muito mais a inabilidade do governo do que do candidato.
Leia mais sobre a candidatura de José Serra na página 7

mockup