O petismo, que durante 25 anos cercou o quanto pôde todos os governos e visou obstruir, de forma sistemática, os projetos que tramitaram pelo Congresso, alcançou afinal o poder e passou a revelar tendências ditatoriais, ao tentar ocultar fatos e blindar a companheirada envolta em denúncias de corrupção. Isto é o que o PT condenava no PSDB de Fernando Henrique. (Na verdade, a blindagem começou mesmo com Fernando Henrique Cardoso. O governo de FHC adotou o exercício da influência sobre o Poder Judiciário. Também começou com FHC a prática de jogar sob o tapete as denúncias contra personalidades do seu governo. Ao contrário de Itamar Franco que mandava apurar). A interferência direta do ministro Palocci para violar a conta bancária do caseiro Francenildo, que o denunciava, rememora o tempo dos Atos Institucionais da ditadura militar, quando o poder instalado tudo podia contra quem quer que fosse. Mas não apenas isso, porque o Governo Lula, ao invés de pautar-se pela transparência e revelar as impurezas do regime e colocar as coisas em pratos limpos, oculta tudo do povo. Ocupa-se de blindar os denunciados, e vai obtendo liminares e habeas-corpus. O presidente do Sebrae, acusado de valer-se de dinheiro que não lhe pertence para custear o indevido, já obteve três salvaguardas que o livram de uma prestação de contas, porque o Palácio do Planalto lhe dá cobertura e acorre em sua defesa, valendo-se do tráfico de influência. Não a investigação, não o esclarecimento ao público, não o eventual afastamento dessas figuras, mas a ocultação, o protecionismo a qualquer custo. Assim era nos anos de chumbo da ditadura, para manter uma imagem de sanidade do sistema e assim manter-se no poder e fazendo-o durar cerca de vinte anos. O que passou já passou embora sequelas ainda persistam mas neste governo a metodologia é semelhante. Os acusados não permitem a quebra de seus próprios sigilos bancários e se fossem tão castos, o fariam e o círculo do poder tudo faz para que nada os moleste. O publicitário Duda Mendonça, estreitamente ligado ao Governo Lula, vai salvando a cara, e assim acontece com todos os amigos do Presidente. Aí incluído seu filho, o Lulinha. Não faltou, tempos atrás, a tentativa do sistema de baixar um ''Ato Institucional'' contra os veículos de comunicação, por via de um Conselho cerceador. Foi pesada a ingerência do Palácio no relatório final da CPI dos Correios, finalmente aprovado mas ainda contestado pelos governistas. Tudo o Governo fez e faz para blindar os seus e isto ocupando o lugar da investigação caracteriza quebra do princípio democrático e do direito do povo de saber o que se passa na redoma governamental.

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