Com o propósito de ajudar Deus - Walmor Maccarini
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de dezembro de 1998
Walmor Maccarini 
Dezembro é um mês em que afloram mais intensamente as inspirações. Porque ficamos mais propensos a permitir isto. No ano passado, nesta época - quando vivíamos os mesmos temores e expectativas de agora - escrevi que, ao invés de ficarmos lamentando nossos infortúnios e implorando a ajuda de Deus, melhor seria ajudá-lo. Isto mesmo. Porque Deus precisa que o ajudemos a fazer este mundo melhor - e este Brasil melhor - porque este é Seu projeto mas Ele nada fará sem nossa participação. Não aquele Deus das punições e das recompensas que é ensinado nos templos, mas o Deus-Fonte, Macro-Consciência, o Deus-Totalidade que compõe todas as coisas.
Ao invés de pedir-Lhe, dar-Lhe. Porque pedir-Lhe é negar a graça de já sermos possuidores de todas as dádivas que Ele nos concedeu. Bastará as identificarmos e irmos buscá-las. Ou terá sido em vão a tarefa divina de colocá-las à nossa disposição. É do nosso livre arbítrio ir buscar, ou não, o que nos pertence.
Este período natalino é propício para repensarmos nossas vidas, porque é uma época em que abandonamos um pouco nossa condição meramente terrena e erguemos mais a cabeça para nossa realidade espiritual, e aí as respostas nos chegam. Essa conexão exige silêncio interior.
Não é por falta de ajuda de Deus que não estamos melhores, mas porque não o temos ajudado a melhorar nossa jornada terrena. A Providência Divina opera através de nós e não nos premiará pelas nossas boas ações, porque nós é que nos premiaremos com elas; e não nos punirá pelos nossos atos imperfeitos, porque nós nos puniremos por eles. Girará a roda que movermos. Se for a da direita, será a da direita; se girarmos a da esquerda, girará a da esquerda. Se só acreditarmos em crise - e não se tem falado de outra coisa - então movemos a roda da crise e esta girará segundo a aceleração que lhe dermos.
A nossa relação com a Suprema Inteligência (entenda-se Deus) funciona segundo um princípio inteligente regido por leis imutáveis, que não age por emoção mas por um ordenamento preciso de consciência e sintonia. Não esperemos, pois, por um Deus emocional que se comova com nossas súplicas e lamentações, mas por um Deus que agirá segundo a nossa vontade, porque a nossa vontade será determinante. Quando acionamos a nossa vontade acionamos a vontade Dele. A vontade não se manifesta pela súplica, mas pela convicção. A súplica é negação, porque ao suplicar negamos o que já nos está concedido. Também a esperança não é boa companheira, porque esperar é transferir para um amanhã imaginário aquilo que na verdade já é e está.
Chorar no colo de nossos infortúnios é até aconchegante, como é confortável transferir culpas para alguém ou para alguma situação, porque isto nos afasta da responsabilidade, mas este conforto é ilusório e fugaz, porque se apoia na autoflagelação. Bom enquanto dura, mas é algo que fermenta e se agrava, levando-nos a repetir a dose, até à overdose...
Já escrevi estas coisas, mas neste dezembro de paz e harmonia que se repete é bom repetir que nós compomos Deus, somos fragmentos dEle, portanto feitos da mesma substância, daí dizer-se que à Sua imagem e semelhança. Deus não é um ser à parte da Criação, portanto nunca iremos vê-lo, mas se ficarmos atentos iremos senti-Lo, porque Ele nos integra e nos rodeia, portanto muito mais próximo do que imaginamos. Todas as coisas já são e estão: o dinheiro, a saúde, o bem-estar, a iluminação divina. Bastará nos sintonizarmos com esses atributos, nos harmonizarmos com eles, declará-los bem-vindos. Temos que assumir a consciência de que Deus opera em nós, e através de nós faz a sua obra. Um Deus que possamos ver e dimensionar, este não existe, porque Deus é tudo aquilo que existe, é o infinito. Deus é a substância, a unicidade, e nela nos fortalecemos e tudo podemos.
O mundo paradisíaco que queremos também é um plano cósmico, então vamos ajudar nessa tarefa, eis que somos a pulverização de Deus e viemos com a missão de divinizar a Terra. A Suprema Criação nos concedeu o livre arbítrio para que possamos crescer pelo nosso próprio entendimento. E pelo entendimento nascermos de novo, para a volta à Luz de onde somos originários, depois de cumprida nossa experienciação terrena. Que não vem apenas da nossa presente idade cronológica...
Ajudar Deus é nos sintonizarmos na frequência da Grande Fonte, de onde emanam todas as idéias e todas as energias e onde estão prontas e acabadas todas as respostas e todas as soluções.
Porque - já dissemos isto antes - não há mentes privilegiadas, há mentes sintonizadas.
Nesta crise brasileira que elegemos e que pelo poder de nossa convicção veio se tornando realidade, temos que contemplar não o problema, mas a solução. Se a contemplamos, ela se plasma, se corporifica, torna-se real. A vida nos dá o que esperamos dela.
- WALMOR MACCARINI é jornalista em Londrina


