Se por um lado o projeto Onde Moras substitui as tábuas e lonas dos barracos pelas telhas e tijolos das casas construídas, o ganho para as famílias envolvidas, segundo o engenheiro Maurício Tadeu Alves da Costa, vai além do conforto. ''Acontece um resgate da noção de cidadania dessas pessoas'', acredita. De acordo com ele, não são poucos os casos de moradores que mudaram radicalmente o estilo de vida depois da troca.
É o que aconteceu com o casal Adão Vieira dos Santos e Sandra Aparecida de Souza Barros, do Jardim São Jorge. Ex-catador de papel desempregado, o hoje pedreiro conta que teve de arregaçar as mangas e enfrentar os quase 30 dias de construção ininterrupta para garantir à família o conforto da pequena casa de cinco cômodos. ''Várias vezes era necessário prender com estacas o barraco onde a gente morava para que ele não voasse com a chuva e o vento'', recorda-se.
''Lavava e cozinhava em um lugar cheio de barro, e dormia no molhado sempre que chovia. Agora, dá até gosto dizer que tenho uma casa para limpar'', compara Sandra sonhando com o futuro. ''Logo, logo, ele coloca os pisos e o reboco'', diz. Pedreiro profissional e bom conhecedor da esposa que tem, Santos nem ousa discordar. (J.G.)

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