Com falsa profecia, Leal arrecadou bens de fiéis
Miranda Leal ficou conhecido no País quando em setembro de 1999 anunciou o arrebatamento (a volta de Jesus Cristo para buscar seus seguidores) e com isso, foi angariando dos fiéis bens e dinheiro, porque segundo ele, ninguém mais precisaria de valores materiais. Naquela ocasião, o missionário já demonstrava, apesar de apregoar o contrário aos fiéis, um completo desconhecimento da Bíblia Sagrada. No livro de Mateus, capítulo 24, versículo 36, Jesus Cristo deixa claro que sobre o dia em que irá voltar nem ele mesmo sabe, apenas o próprio Deus. ''Porém daquele Dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, mas unicamente meu Pai''.
Em dezembro 1999, antes do momento do que seria a concretização da falsa profecia, o missionário abandonou a igreja e fugiu para a Inglaterra. Antes, porém, segundo investigações do próprio Ministério Público Federal, Miranda Leal fez, entre agosto e outubro daquele ano, o maior número de depósitos em contas pessoais, no total de R$ 4,8 milhões (em valores da época).
A falsa profecia e a fuga do missionário baquearam a igreja. O templo em forma de arca, com sede em Maringá, era uma das principais referências dos seguidores que se reuniam em mais de 100 mil pessoas, uma vez por ano na cidade, em um dos maiores eventos religiosos realizados no Estado. O evento era até motivo de polêmica em Maringá, porque a estrutura, principalmente sanitária da cidade, sucumbia com o grande número de pessoas reunidas em quatro dias sempre no período da Páscoa.
Por meio de uma ação civil na Justiça Estadual, os atuais dirigentes da Só o Senhor é Deus buscam a restituição de cerca de R$ 3,2 milhões (em valores de 2000) retirados por Miranda Leal e a mulher dele Saline Atiê Ramos das contas bancárias da igreja. A ação também tenta a nulidade jurídica de atos praticados pelo missionário como a aquisição em nome próprio com dinheiro da igreja de dois apartamentos de luxo - um em Maringá e outro no Rio de Janeiro - de uma emissora de rádio de Londrina e de um carro importado.
No Ministério Público Estadual, um inquérito em fase de diligências apura indícios de crimes como o de apropriação indébita por causa dos inúmeros saques das contas do templo. Um investigador que acompanhou boa parte do inquérito na fase policial e que pediu para não ser identificado com receio de ser repreendido pela chefia, disse que não tem dúvidas de que o missionário está assumindo a presidência da igreja e alterando o estatuto como uma estratégia para legalizar o retorno do dinheiro que desde outubro de 1999 sumiu dos cofres da Só o Senhor é Deus. ''O missionário pode muito bem lavar o dinheiro por meio de doações na nova igreja'', avalia o investigador.





