Colônia polonesa será afetada
Curitiba - Uma das comunidades que está bem no meio do caminho do trem é a Colônia Dom Pedro II. São cerca de 200 famílias de origem polonesa, que conservam não apenas a cultura e as tradições de seus antepassados, mas também o modo de vida das 20 famílias de imigrantes que se fixaram ali em 1876 e que deram origa à comunidade.
A localidade foi batizada de Colônia Dom Pedro II, porque as famílias foram assentadas pessoalmente pelo imperador, que passou duas semanas na casa de Mariano Torres em Campo Largo, acompanhando a instalação dos imigrantes no local. Toda a história das famílias foi registrada pela comunidade.
José Szychta, um dos moradores da colônia, mostra com orgulho as duas casas centenárias, feitas pelos imigrantes com toras de madeira encaixadas, sem o uso de pregos, restauradas por seus descendentes e transformadas em museu cultural. As famílias cederam fotos históricas, mobiliário, ferramentas antigas e até imagens e altares utilizados pelos antepassados em suas orações.
As casas foram reconstruídas a poucos metros de onde está previsto o traçado da linha férrea. ''Tudo isso que construímos e preservamos está ameaçado'', lamenta Szychta. Segundo ele, a comunidade se conhece pelo nome e a vida ainda é tranquila na região, mas com a linha de trem ''invadindo'' as propriedades, eles temem a entrada de estranhos e o fim do sossego.
Miguel Burcoski, outro proprietário rural na colônia, diz que os trilhos passarão sobre o reservatório de água construído por sua família para evitar a falta de água para os animais durante os períodos de estiagem. Sem o tanque, ele teme não poder mais ter gado e suínos na propriedade. O mesmo acontecerá no sítio de Florentina e Stanislau Belinowski. Os moradores dizem ainda que uma arroeira de 200 anos também terá que ser derrubada. ''Precisa de quatro homens para abraçar a árvore de tão grande que ela é'', lamenta Burkoski.(M.K.)





