Quando na linha inimiga está um ministro da República, as forças de resistência do Paraná devem ser equivalentes e dar-lhe combate cerrado, antes que ele provoque mais devastação. Fala-se obviamente do ministro Roberto Rodrigues, que se converteu em vírus tão perigoso para o Paraná quanto o da febre aftosa. Pelas razões que todos conhecem, mas é preciso rememorar que se trata do desejo dessa autoridade que capitaneia o Ministério da Agricultura e Pecuária de inocular, a qualquer custo, aquela doença dos rebanhos bovinos no Estado. Na verdade ele já o fez, de forma cartorial ou seja, uma declaração e um registro em papel e a comunicação aos importadores de carne brasileira. São terminantes as palavras do doutor em virologia Amauri Alfieri, da Universidade Estadual de Londrina, de que se o vírus estivesse presente no Paraná já teria se espalhado pelo Estado inteiro. Pela razão de que a aftosa se alastra facilmente, pelo elevado poder de transmissibilidade. Ele afirma, em declaração a este Jornal, que se houvesse aftosa no Paraná a moléstia não estaria restrita a alguns animais de uma única fazenda. Exemplifica com o caso de Mato Grosso do Sul, onde o foco encontrado no final de setembro já contaminou gado de quatro municípios vizinhos, totalizando hoje 28 focos. Teria acontecido o mesmo no Paraná se o lote trazido daquela região, no começo de outubro, tivesse algum animal infectado. Ontem a reportagem da Folha de Londrina foi a São Sebastião da Amoreira, e na fazenda apontada como foco da aftosa não havia nenhum sinal que atestasse isso. Não havia barreiras, animais eram destinados a frigoríficos, pessoas entravam e saíam livremente, nenhum técnico estava na propriedade, enfim tudo aparentando normalidade. É uma afronta o que está fazendo o Ministério da Agricultura e Pecuária, ao deixar passar exatos dois meses sem haver emitido um laudo conclusivo, embora declare que existe febre aftosa em território paranaense. O virologista afirma que a Organização Mundial de Sanidade Animal quer saber se há ou não aftosa, e se o diagnóstico for negativo deseja ser informada sobre que vírus é este que está levando a exames e a barreiras. Enquanto ele não aparece, se poderia nominá-lo ''vírus RR'', que está se revelando de alta nocividade. É realmente espontoso o que está acontecendo. O rumo a seguir, agora, é contra-atacar, se preciso indo bater à porta da Presidência da República e exigir definições claras e imediatas. O ministro Roberto Rodrigues precisa ser chamado ao gabinete do presidente Lula e colocado na parede pelas autoridades paranaenses para que se explique. Esta é uma tarefa para o governador Roberto Requião, que até agora não se empenhou decididamente em defesa da causa, que se arrasta. Se não agir rápido, o governador carregará o ônus de haver abandonado à própria sorte uma das maiores fontes de riquezas do Paraná.

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