Você sabia que seu filho na fase que vai dos dois aos quatro anos de idade precisa de limites? Que a falta de alguém que mostre que tem o comando sobre ele, que lhe diga não, vai refletir na adolescência? E que aprender a lidar com o sentimento de frustração nessa fase é a ''vacina'' contra a psicopatia? As pessoas que frequentaram a Escola de Pais e as que participaram de palestras com o psicoterapeuta Ivan Capelatto, tiveram a oportunidade de aprender as características de cada fase do desenvolvimento das crianças e a sua importância.
A experiência de 30 anos como professor e o contato diário com problemas que tiram o sossego dos pais levou o diretor geral do Colégio Máxi, Virgílio Tomasetti Junior, a promover no ano passado palestras e oficinas com temas específicos. A idéia de criar a Escola de Pais, diz ele, foi a maneira de antever os problemas e evitá-los. ''Quando a gente fala que as crianças têm a fase oral, anal e fálica, isso não diz nada. Mas quando a gente dá exemplo do que precisa ser feito para uma boa formação do ser humano, aí os pais entendem'', diz o professor.
Tomasetti Junior comenta que uma das preocupações comuns de quem tem filhos na 5 série (11 anos) é que os meninos apresentam queda no rendimento escolar. ''Isso é normal porque eles vivem um período de introspecção. Ficam 'viajando', estão com o corpo feito, desengonçado '', diz o diretor. Já as meninas, diz ele, passaram por esta fase mais cedo e fisicamente estão com as formas arredondadas, mais bonitas e vão bem na escola. ''Elas vivem o que o psiquiatra Içami Tiba chama de onipotência pubertária. Nessa fase ocorre a menarca (primeira menstruação) e as pessoas estão preocupadas com ela'', explica.
O diretor ressalta que os cuidados devem começar na infância para que a adolescência seja vivida como uma fase normal, em que as exigências de atenção e de carinho são maiores. Tomasetti Junior exemplifica: ''Quer deixar um adolescente perdido? Dê-lhe dinheiro em vez de atenção. Ele fica desesperado, em pânico, faz qualquer coisa, e coisa perigosa, para chamar a atenção. Eles querem que os pais se preocupem com eles''.
Outro exemplo usado pelo professor para que os pais entendam o momento vivido pelos adolescentes: ''Se uma bomba atômica explodir em São Paulo isso não tem importância. Mas as duas espinhas que surgiram no rosto, sim''. (L.M.)

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