A população das maiores cidades do Paraná sofre com a crônica falta de vagas nos cemitérios públicos para enterrar seus entes queridos. É o que mostra reportagem que a FOLHA publica na edição de hoje. Em Curitiba, já não existem lotes disponíveis e a espera por uma vaga pode superar uma década. Londrina e Maringá também enfrentam colapso de vagas e as prefeituras adotam medidas emergenciais para resolver o problema.
Para atender a demanda na capital, o Departamento de Serviços Especiais da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Curitiba realiza revisões periódicas de lotes e assim identificar túmulos abandonados ou irregulares. Os quatro cemitérios municipais - Boqueirão, Santa Cândida, São Francisco de Paula e Água Verde – têm zero vaga e as inscrições na lista de espera estão suspensas. A opção para famílias carentes que não podem comprar jazigo em cemitério particular é recorrer às vagas de emergência, mas elas só podem ser usadas por três anos. Estão em estudo três ações: a ampliação do Cemitério do Boqueirão, a construção do Cemitério da Zona Sul e um crematório municipal.
Os cinco cemitérios públicos de Londrina - São Pedro, Jardim da Saudade, Padre Anchieta, São Paulo e João XXIII - têm poucas vagas disponíveis. A Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf) calcula que eles poderão atender à demanda somente pelos próximos seis meses. A Acesf fez a revisão de concessões de túmulos abandonados ou em situação irregular e aguarda a notificação para retomar os terrenos e disponibilizá-los à comunidade. E enquanto não se define a área do novo cemitério na cidade, a alternativa é realizar sepultamentos nos oito cemitérios dos distritos rurais.
Com um único cemitério público, em Maringá a solução foi apelar à Justiça contra proprietários dos jazigos abandonados, o que permitiu a abertura de mil carneiras duplas. A prefeitura pretende ainda oferecer mais 3 mil vagas no espaço hoje ocupado pelo Instituto Médico-Legal, além de construir um outro cemitério.
Pelo que se nota, a oferta de vagas nos cemitérios públicos paranaenses não cresceu na mesma medida da população das grandes cidades. E, levando-se em conta o custo dos jazigos particulares, é urgente que as prefeituras invistam na construção de necrópoles.

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