Colapso não está mais sobre a mesa
Foi com as palavras que dão título a este escrito que o ex-presidente do Banco Central norte-americano Alan Greenspan definiu a situação financeira nos Estados Unidos, depois de 11 meses da crise. O grande abalo está completando um ano e nesse período muitos capitularam, mas a humanidade sobreviveu, Brasil incluído. Se a corrente do positivismo se alastrar da mesma forma que ocorreu ao contrário, a serenidade se reinstalará no universo dos negócios.
A situação é ainda de prudência, e leu-se ontem nos jornais que no Brasil a indústria sofreu queda de produção neste semestre. Isto se deveu à diminuição da produção de veículos, um setor metalúrgico que consome inúmeros produtos, fornecidos por indústrias paralelas. Ainda assim os indicadores apontam para melhoras e o clima não é de desânimo. Só os bancos brasileiros não têm crise. Veja-se que o lucro do Bradesco no último trimestre foi de R$ 2,297 bilhões.
Desde o crash do banco Lehman Brothers o comportamento de grandes corporações bancárias e empresas mudou em todo o mundo e as imprudências e aventuras cessaram, ou ao menos diminuíram. Começou-se a operar nos limites do próprio suporte financeiro e, se é certo que muitos negócios encerraram atividade e muita gente perdeu o emprego, a economia trilha agora por caminhos mais seguros. Mais de 10 trilhões de dólares foram disseminados nos campos da economia mundial e formaram um poderoso dique de contenção, ou teria sido pior. Crise que envolve dinheiro - embora tenha se propagado por uma onda de desconfiança - se resolve com dinheiro. Agora o otimismo vai retornando gradualmente, e se começar nos EUA irá ganhando amplitude. Ainda imperam os desempregos naquele país e por extensão em todas as partes do mundo, e a normalidade consumista não foi retomada. Mas ao menos as coisas pararam de despencar. Acredita-se que já foi investido todo o dinheiro que era preciso investir e que ao menos se chegou ao fundo do poço, como disse uma autoridade monetária dos EUA.
Doravante será preciso um forte investimento de confiança de toda a comunidade mundial, aí compreendidos não só os empreendedores e os governos, mas cada indivíduo - porque é este que consome e alavanca a economia. Produzir e não deixar de consumir, evitando extravagâncias, esta é a fórmula. O que o homem cria de ruim, pela ganância e pela imprudência, ele mesmo pode reparar e com essa disposição encontrar um caminho novo e mais seguro e trilhar por ele com mais cautela.





