Colapso Brasil
As últimas semanas têm sido preocupantes para o povo brasileiro, e o que estamos assistindo é a triste realidade do sistema político. A corrupção é como um iceberg, e a maior parte dela ainda está escondida. Revelações absurdas; encontros suspeitos e negócios sujos. É o crime organizado dentro do poder político. Pouco a pouco as raposas vão sendo escorraçadas das tocas e os foliões da política têm suas máscaras arrancadas à força, apesar de algumas tentativas contrárias, até mesmo por parte de alguns que deveriam prezar pela lei e pela ordem. Rui Barbosa dizia: "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto". Mesmo assim, não podemos nos abater diante da triste realidade.
Honestidade, caráter e vergonha na cara há tempo não fazem mais parte das virtudes desses políticos - que a cada instante são manchetes nas páginas policiais. São verdadeiros marginais travestidos de políticos que roubam a nação e usam da mentira para enganar e saquear a esperança do povo. Apesar do muito que ainda há debaixo dos porões fétidos da política, "não há nada de oculto que não venha a descobrir-se, e nada há escondido que não venha a ser conhecido" (Lc.12,2), e assim, aos poucos, vão sendo eliminados da vida pública.
No entanto, não será esse colapso um reflexo da própria crise do ser humano em si? Será que a própria existência não se encontra caótica? Quando pensamos nas futilidades que imperam na sociedade, na liquidez das relações, na necessidade de se obter vantagens indevidas; será que tudo isso não reflete a irresponsabilidade de um cenário que repudia a corrupção, mas que ao mesmo tempo se corrompe e se sabota a cada momento? Afinal, quem elegeu os políticos que nos representam? - embora não tenha sido para roubar que o colocamos lá.
É importante a conscientização nesse momento de crise - os fatos propalados aos quatro ventos serão como uma bússola a nos mostrar o caminho para o futuro. Nas próximas eleições é preciso fazer um limpa geral nessa sujeirada toda - com os nomes daqueles que estão aparecendo nas investigações e, ao menor grau da participação deles, deverão ser eliminados nas urnas.
Todas as investigações em andamento e as que surgirão, com grandes probabilidades de serem maiores ainda, vão nos mostrar o caos e o colapso em que estamos. E se as nossas decisões permanecerem as mesmas, se nossa postura passiva continuar inerte, o círculo vicioso de bandidos e bandidagens permanecerá, e o abismo social cada dia mais se ampliará, pois, quem realmente sofre e paga a conta da corrupção são principalmente os mais pobres. Estes, passaram por anos de ilusão, tendo a falsa impressão da abastança e do progresso, sem ter a noção que a conta um dia chegaria, e os anos de glória, passariam a ser representados apenas por anos de luta. Ah! Serão muitos anos de luta; luta para sair da recessão econômica que já assola o país; luta para recuperar a dignidade da nação; luta para cativar a esperança despedaçada em nosso peito.
Apesar do povo ser, em sua maioria, gente guerreira que sempre encontra uma saída nos momentos de crise, ainda assim há uma reflexão a fazer, como bem nos explica o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos: "Algo de terminal na condição do nosso tempo que se revela como uma terminalidade sem fim. É como se a anormalidade tivesse uma energia inusitada para se transformar em nova normalidade e nos sentíssemos terminalmente sãos em vez de terminalmente doentes". Parafraseando Nelson Rodrigues, em matéria de corrupção, "o absurdo já perdeu a modéstia faz tempo".
MARCOS ANTONIO DE ARRUDA é acadêmico de Direito na Unopar em Bandeirantes e DANIELI A. C. LEITE FAQUIM é advogada e professora universitária
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