Imagine ser abordado por um grupo de policiais militares e levado até a delegacia por suspeita de assalto. Imagine ser ‘‘erroneamente reconhecido’’ por dois funcionários de uma empresa como o autor de um crime. Imagine ser confundido com o criminoso por causa da cor da pele. E, sem direito à defesa, por ser pobre, acabar na cadeia. Foi o que aconteceu com um vendedor de 22 anos, preso desde o dia 6 de fevereiro na Casa de Custódia de Londrina.
Confundido com um ladrão, que foi preso logo depois, o vendedor até agora não conseguiu ganhar a liberdade. E as testemunhas que mandaram o vendedor para a prisão, conforme consta no processo, reconheceram o erro mas argumentaram que ‘‘agiram sob forte impacto emocional, já que era a primeira vez que eles presenciaram um assalto’’. Uma delas chegou a alegar que passava por problemas de saúde como se isso justiticasse o ‘‘engano’’.
De nada adiantou ao homem negar a autoria no ato da sua prisão, e afirmar que no dia do assalto ele estava acampando num balneário na região de Maringá. De nada adiantaram quatro testemunhas, inclusive um policial militar que também estava no balneário, confirmarem a versão do vendedor. O homem acabou atrás da grades.
Em abril, durante audiência na Justiça Criminal, as mesmas testemunhas reconheceram o verdadeiro assaltante, inocentaram o vendedor e tentaram justificar o erro apontando a semelhança: os dois são negros.
O vendedor foi absolvido no dia 3 de maio, por falta de provas. Por esse motivo, as testemunhas não foram processadas por falso testemunho. O homem, negro e pobre, continua preso.
Luka Morais

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