A saída de Nelson Teich do Ministério da Saúde antes de completar um mês no cargo evidencia mais uma vez a grande dificuldade que o presidente Jair Bolsonaro tem para montar uma equipe.

Todos sabem das consequências da saída de um segundo ministro da Saúde em meio à pandemia do novo coronavírus. A repercussão negativa do fato dentro e fora do país deixa claro o preço que a população vai pagar pelo fator desconfiança. Pesa na decisão dos investidores brasileiros ou estrangeiros a dificuldade do governo em manter consenso na própria casa.

Tão rápida quanto a sua passagem pelo ministério foi a entrevista de despedida do ex-ministro, na tarde desta sexta-feira (14).

O oncologista Teich fez um breve discurso de cinco minutos e não explicou o motivo da exoneração. Agradeceu a equipe, disse que a vida é feita de escolhas e que ele optou por sair. Teich também defendeu a importância da articulação entre estados e municípios, fator que segundo ele é “essencial” para conduzir a “saúde do país”.

Ao que tudo indica, os dois tiveram desentendimentos sobre a forma como o governo deveria conduzir a crise sanitária gerada pela Covid-19. A alteração do protocolo do uso da cloroquina teria sido o estopim.

Recentemente, o diretor-executivo da OMS (Organização Mundial da Saúde), Michael Ryan, lembrou que as divergências entre líderes de diferentes níveis administrativos em um país grande e complexo como o Brasil são comuns. Mas alertou que os países que se saíram melhor no combate à Covid-19 foram aqueles que mantiveram a coerência em todos os níveis de governo, adotaram mensagens simples e convenceram a população a um esforço de conscientização coletiva.

O Brasil tem muitos desafios para vencer a pandemia, mas talvez o maior deles seja alinhar o discurso. Nessa guerra não existe uma resposta certa. Mas a coerência e a união são parte do processo.

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