A partir de 1º de fevereiro, por determinação do governo federal, a mistura do álcool na gasolina vai baixar. A medida, em vigor até abril de 2010, tem como objetivo poupar o etanol, cuja produção está em queda devido às chuvas que prejudicaram a colheita da cana e ao início do período da entressafra da cultura, que começa este mês e termina em abril.
Essa queda na produção tem atingido em cheio o bolso de proprietários de carros a etanol, pois o preço nas bombas vem subido de maneira exorbitante e hoje em apenas seis Estados (incluindo o Paraná) ainda compensa abastecer o veículo com álcool.
Problemas com a produção da cana não são os únicos motivos para a elevação do preço do produto. A cotação alta do açúcar no mercado internacional estimulou usineiros a se voltarem para a produção do açúcar e deixarem de lado o etanol.
A medida adotada segunda-feira vai durar 90 dias, pois espera-se que até lá a produção já esteja normalizada. Com a redução de 25% para 20% da concentração de álcool na gasolina, o governo acredita obter uma economia de 100 milhões de litros do combustível por mês e segurar o preço do produto.
Na visão otimista de técnicos do presidente Luis Inácio Lula da Silva, como o ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, a expectativa é que até o preço da gasolina caia com a medida, pois o álcool está realmente caro.
Mas a opinião não é compartilhada por especialistas de mercado. Alguns acreditam que a manobra do governo não vai barrar a elevação do preço do etanol, porém apenas diminuir o ritmo do aumento.
Também quem deverá começar a ficar atento é o usuário de carro à gasolina. A medida poderá funcionar como um ''cobre aqui, descobre ali''. Isso porque, distribuidores do produto acreditam que haverá um aumento na gasolina entre R$ 0,04 e R$ 0,05 por litro. Seria mais uma ''surpresinha'' de começo de ano para quem, em fevereiro, já tem um batalhão de impostos para pagar, como o IPTU e IPVA, além dos gastos com material escolar.

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