Cobrar prisão e também valor subtraído
Em reportagem com chamada principal de capa, a revista ''Veja'' desta semana pergunta porque os políticos envolvidos em denúncias de roubo de dinheiro público não ficam presos. Cita, entre os grandes envolvidos no momento presos ou não os ex-senadores Luiz Estevão e Jader Barbalho, o ex-juiz Nicolau dos Santos, o ex-presidente Fernando Collor, o ex-vereador paulista Vicente Viscome, a ex-advogada Jorgina e o ex-prefeito e ex-governador Paulo Maluf. Destes, apenas Viscome e Jorgina cumprem pena na prisão, e os demais estão em liberdade, assim como uma infindável lista de outros, Brasil afora. A prisão, para os denunciados, parece ser o único anseio dos cidadãos, quando melhor seria desejar que os valores subtraídos retornem aos cofres públicos, porque isto é que interessa primordialmente. Pouco acrescenta, a não ser um aspecto parcial de recuperação da moralidade pública, que a advogada Jorgina esteja presa há sete anos se, ela e sua quadrilha, ainda estão em poder de 80% dos 600 milhões de reais subtraídos do INSS. Porque a devolução foi de apenas 20%. Ela, que se diz agora convertida para o evangelismo e espera ser beneficiada brevemente com o regime de prisão semi-aberta, fala de grandes planos, menos devolver o que roubou valor astronômico que está em ''algum lugar do planeta, à espera do resgate'', por ela mesma.
Luiz Estevão, envolvido na denúncia do desvio de R$ 169 milhões na construção do prédio do Fórum Trabalhista de São Paulo, acabou inocentado, embora o Ministério Público esteja recorrendo da sentença. No mesmo pacote desse escândalo encontra-se o ex-juiz Nicolau dos Santos, este condenado e preso, por algum tempo, mas já no gozo da ''prisão'' domiciliar. Ninguém questiona o paradeiro desse volumoso montante e, muito breve, por decurso de prazo, não se falará mais do assunto. Outra vultosa soma não reclamada e não devolvida.
Jader Barbalho, que acumulou fortuna de R$ 30 milhões nos seus anos de vida pública e responde a vários inquéritos e processos por corrupção, voltou ao Congresso como deputado e, já se sabe, nada irá acontecer que o obrigue a restituir o que, supostamente, tenha embolsado irregularmente. Fernando Collor, embora apeado da Presidência da República pelo 'impeachment', foi absolvido e a dinheirama do esquema Paulo César Farias, o célebre PC e seu homem forte, jamais foi recuperada. Paulo Maluf já sofreu quatro condenações em primeira instância, sob a acusação de improbidade administrativa, e ninguém imagina que os valores desviados retornem aos cofres públicos. Vicente Viscome, da máfia dos fiscais da Prefeitura de São Paulo, está preso, mas dos valores embolsados nada se fala e nada se cobra. Para a vingança nacional, parece que a prisão basta.
Descendo aos arraiais paranaenses, chega-se a Londrina e, aqui, os mais de R$ 180 milhões da venda de ações da Sercomtel tomaram rumo 'ignorado e não sabido'. Um expressivo ranking na sinistra listagem, colocando a cidade entre os magistrais escândalos e algo de fazer inveja aos mais refinados 'gangsters' do planeta. O caso só perde, em volume, para Jorgina, por ora a olímpica campeã. Antonio Belinati era o prefeito na época, e sobre seu nome recai a responsabilidade global, porque em última instância era ele o guardião dos bens públicos. Se a comunidade espera rever esse dinheiro, ou apenas obter alguma explicação, que desista!





