CNBB vai pressionar governo
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domingo, 10 de setembro de 2000
Chico Araújo Agência Estado De Brasília 
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e MST querem que o resultado da consulta popular sobre moratória da dívida interna e externa brasileira sirva de pressão para que o governo federal realize um plebiscisto formal sobre o assunto. A idéia é utilizar os números da consulta informal, com participação estimada de mais de 2 milhões de assinaturas, para criar um fato político capaz de forçar a base governista a aprovar o pedido de realização de um plebiscito oficial encaminhado pelos partidos de oposição.
A CNBB deve divulgar hoje o resultado do Plebiscito da Dívida Externa no Paraná. Até ontem, 300 mil votos haviam sido apurados no Estado. O setor de administração do Centro de Formação Irmã Araújo (Cefúria), em Curitiba, onde está sendo centralizada a apuração, informou que deve receber hoje as urnas de pelo menos 20 municípios paranaenses. Cerca de 95% da população que participou da pesquisa se manifestou contra o acordo brasileiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a favor da realização de uma auditoria pública da dívida externa.
Em junho, um grupo de deputados de oposição, encabeçado pelo presidente do PT, deputado José Dirceu (SP), entregou requerimento ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), propondo a realização de um plebiscito sobre a auditagem da dívida. O pedido tem assinatura de mais de 170 deputados, número suficiente para encaminhar uma proposta na Câmara.
Uma das coordenadoras nacionais do plebicito, irmã Maria de Lourdes Goranci, espera que, com o resultado da consulta popular, seja mais fácil encaminhar no Congresso este pedido para promoção do plebiscito oficial. Para Goranci, o governo ficaria em situação política delicada se não considerar a participação popular, constatada no plebiscito da CNBB.
A sociedade deixou claro que a dívida externa é um
problema grave e que precisa ser resolvido imediatamente pelo governo, afirmou Goranci. O resultado final está sendo contabilizado e será divulgado na quarta-feira, durante um ano no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados.
O coordenador do Movimento dos Sem Terra (MST), Gilberto Portes, afirmou que os militantes farão manifestações em todo o País para pressionar o governo a levar em conta o resultado da consulta popular sobre a dívida. Se o governo não fizer isso vai provar que não tem qualquer compromisso com a sociedade, disse Portes.
A auditagem da dívida está prevista na Constituição de 1988. Após a divulgação do resultado da consulta, na quarta-feira, o PT pretende apresentar um outro projeto de decreto legislativo em favor do plebiscito formal pelo governo sobre a dívida externa. Os petistas também pretendem apresentar um projeto para que o governo perdoe a dívida de países que têm renda per capita inferior à brasileira.


