Wilson Francisco Moreira

A COP 21, Conferência Mundial sobre o Clima que aconteceu em Paris, reuniu 195 ministros de países, entre muitos líderes políticos. O clima tem sido preocupação de muitos militantes e organizações não governamentais de todo o planeta. A grande meta estabelecida é alcançar um acordo que limite o aquecimento global a um máximo de 2º C em relação à era pré-industrial.
As mudanças climáticas têm sido vistas e sentidas em todo o planeta. O descontrole climático é evidente e cada vez mais irreversível. Uma das consequências da ação do homem sobre o meio ambiente é a elevação da temperatura média global, provocada pela intensificação do efeito estufa. O efeito estufa está a ligado a vários fenômenos, como a desertificação em algumas regiões e o degelo nas regiões polares.
Nos últimos anos pesquisas científicas evidenciaram que o efeito estufa está sendo reforçado pelo excesso de gás carbônico e por outros gases liberados no ar pelas atividades humanas, principalmente a queima de carvão mineral, petróleo e gás natural, que ainda dominam a matriz energética mundial. O metano (gás natural) e o óxido nitroso são produzidos, sobretudo, pela decomposição do lixo, pelo esgoto, pelos rebanhos de pecuária e pelo uso de fertilizantes. As queimadas de florestas e a decomposição das florestas submersas em represas também são causas.
Como podemos ver, nosso modo de vida baseado em consumo e produção industrial é o grande causador do efeito estufa e de mudanças climáticas subsequentes. Mineração, extração de petróleo e gás e produção do nosso lixo são os grandes vilões. Mas se somos profunda e extremamente dependentes disso para o nosso "desenvolvimento" social e principalmente econômico, como podemos mudar as ações humanas para impedir o caos climático na terra?
Países e organizações ambientais têm um papel fundamental e muito positivo ao proporem as reuniões diversas que têm ocorrido desde a conferência do Rio de Janeiro em 1992. Muito esforço tem sido feito, no entanto, muitos países ainda não perceberam a imensa importância de se discutir as questões climáticas e assumir compromissos de diminuir emissão de gases poluentes na atmosfera. Talvez porque interesses econômicos ainda são muito mais importantes. Na verdade, de pouco adianta essas reuniões de cúpulas de países, se os grandes conglomerados econômicos, responsáveis diretos pelas ações mais nocivas ao ambiente não forem convocadas a dar suas parcelas de contribuição.
Grandes empresas da mineração (lembremos o caso de Mariana em Minas Gerais), grandes grupos do petróleo, a indústria de automóveis, a indústria do agronegócio e outras gigantes mundiais deveriam ser chamadas à responsabilidade e assumir grande parte de sua culpa na questão ambiental. Damos gravíssimos, como os de Mariana, o do derramamento de petróleo no golfo do México há alguns anos, e muitos outros "desastres" ambientais não podem ser esquecidos. Pagamento de multas, que aliás não se sabe se são pagas, não podem apagar as responsabilidades destas empresas. O lucro exorbitante que auferem à custa do ambiente e da sociedade são enormes e parte dele deveria ser usado na busca de tecnologias menos poluentes, ou mesmo para reparar os possíveis e prováveis danos sociais que causam. As fábricas de automóveis também deveriam ter muito mais responsabilidades sociais, o custo social dos automóveis é imenso, precisavam colaborar com os governos em segurança, saúde e meio ambiente.
Que a COP 21 em Paris consiga avançar na discussão climática. Que os senhores dirigentes globais entendam de uma vez que se não procurarmos parar a degradação ambiental, nosso futuro será, no mínimo obscuro. Contudo, só será possível uma mudança de mentalidades de fato se também as grandes empresas com atividades nocivas ao ambiente tiverem assento nestas reuniões e assumirem suas responsabilidades de fato.

WILSON FRANCISCO MOREIRA é agente penitenciário e sociólogo em Londrina



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