Nem mesmo as lojas, pelo menos as do Calçadão, no centro geográfico de Londrina, estão enfeitadas. Quase não estão. Há uma reprodução fotográfica, em tamanho natural, de um cantor famoso - paramentado de Papai Noel -, convidando os passantes a entrar... para fazer um empréstimo pessoal.
Gilmar Vieira, gerente de uma loja de móveis, ''gosta e não gosta dessa época do ano''. Como cristão, considera que é um bom momento ''para se refletir muito, para fazer um balanço''. E a parte triste é justamente essa: ''Hoje, cometemos muito mais erros do que acertos''. Em sua opinião, atualmente ''há muita correria, stress, preocupação com dinheiro''. O poder aquisitivo da população, em geral, caiu muito e ''as pessoas acabam extrapolando em seus gastos e entrando em dívidas''. Para ele, ''tornamo-nos muito materialistas e é muito difícil aprender a viver com um padrão de vida mais restrito''.
O resultado dessa dificuldade, segundo acredita, é o crescimento da violência e a desestruturação dos valores, por um lado, mas também a maior procura por Deus e pela família, por outro. ''Para viver este presente complicado'', esclarece, ''só mesmo se apegando muito a Deus''.
Jair do Carmo Pena, 34 anos, porteiro de um edifício na região central da cidade, lembra-se que costumava ficar contando os dias para o Natal. Isso quando era pequeno, lá em Cruzeiro do Oeste, onde, com oito anos de idade, já ajudava os pais no trabalho da roça. O tempo foi passando, Jair se casou, teve uma filha - hoje com sete anos - e continuou a se animar quando o Natal estava próximo. Há dois anos, contudo, sua mãe faleceu, e agora ele festeja a data, ''porque tem de festejar, mas perdeu a graça''. A família grande - são oito irmãos - sempre se reúne na casa do pai. ''Todos dão dinheiro, para comprar o necessário e as esposas encarregam-se de preparar o almoço do dia 25''. Não trocam presentes, apenas se reúnem em confraternização. Mas, como diz Jair, ''o mês de dezembro ficou meio triste''.

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