CLIMA DE NATAL Enfeites ainda são raros no comércio
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domingo, 01 de dezembro de 2002
Ana Setti<br> Reportagem Local 
Nem mesmo as lojas, pelo menos as do Calçadão, no centro geográfico de Londrina, estão enfeitadas. Quase não estão. Há uma reprodução fotográfica, em tamanho natural, de um cantor famoso - paramentado de Papai Noel -, convidando os passantes a entrar... para fazer um empréstimo pessoal.
Gilmar Vieira, gerente de uma loja de móveis, ''gosta e não gosta dessa época do ano''. Como cristão, considera que é um bom momento ''para se refletir muito, para fazer um balanço''. E a parte triste é justamente essa: ''Hoje, cometemos muito mais erros do que acertos''. Em sua opinião, atualmente ''há muita correria, stress, preocupação com dinheiro''. O poder aquisitivo da população, em geral, caiu muito e ''as pessoas acabam extrapolando em seus gastos e entrando em dívidas''. Para ele, ''tornamo-nos muito materialistas e é muito difícil aprender a viver com um padrão de vida mais restrito''.
O resultado dessa dificuldade, segundo acredita, é o crescimento da violência e a desestruturação dos valores, por um lado, mas também a maior procura por Deus e pela família, por outro. ''Para viver este presente complicado'', esclarece, ''só mesmo se apegando muito a Deus''.
Jair do Carmo Pena, 34 anos, porteiro de um edifício na região central da cidade, lembra-se que costumava ficar contando os dias para o Natal. Isso quando era pequeno, lá em Cruzeiro do Oeste, onde, com oito anos de idade, já ajudava os pais no trabalho da roça. O tempo foi passando, Jair se casou, teve uma filha - hoje com sete anos - e continuou a se animar quando o Natal estava próximo. Há dois anos, contudo, sua mãe faleceu, e agora ele festeja a data, ''porque tem de festejar, mas perdeu a graça''. A família grande - são oito irmãos - sempre se reúne na casa do pai. ''Todos dão dinheiro, para comprar o necessário e as esposas encarregam-se de preparar o almoço do dia 25''. Não trocam presentes, apenas se reúnem em confraternização. Mas, como diz Jair, ''o mês de dezembro ficou meio triste''.


