Cláudio Humberto (De Brasília)
O presidente é responsável e, a seu modo, sem tropelias, exige essa coordenação
(Advertência de FHC na posse do novo ministro da Justiça, José Gregori)
Já foi selada e despachada para a CPI dos Medicamentos minuciosa documentação sobre os Laboratórios Aché, um dos gigantes do mercado, contendo, entre outras coisas, uma detalhada análise do balanço da empresa, demonstrando que o seu lucro atinge estratosféricos 50%, e sinais exteriores de opulência, como o seu reluzente jatinho Citation Excel, avaliado em US$ 8 milhões.
O mapa da mina
O dossiê denuncia também que o Aché obriga as distribuidoras a comprar o equivalente a até um ano em estoques. O dossiê, em suma, mostra o caminho para que a CPI descubra na prática o que desconfia na teoria: fabricar remédios é melhor do que ter mina de ouro.
Linhas cruzadas
São as tais surpresas do coração. Até a privatização da Telerj, era da apresentadora do RJ TV, da Globo, Cláudia Cruz, a voz da gravação no 102, de auxílio à lista telefônica do Rio. Não é que Eduardo Cunha, que já foi presidente da estatal, hoje investigado por irregularidades na Cehab do governo Garotinho, terminou casando com a dona da voz?
O mundo dá voltas
O senador Ney Suassuna (PMDB-PB) preside a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, que recomendou a legitimação dos precatórios. Um dossiê a caminho da Comissão de Ética lembra que em julho de 97 Suassuna participou da mudança na calada da noite do relatório final da CPI dos Precatórios, que melhorou a posição do Bradesco; e que, em janeiro de 98, o mesmo Suassuna vendeu ao Banco Icatu, por US$ 16 milhões, um terreno de 100 mil m2 na Barra da Tijuca, no Rio. Outro personagem que brilha no dossiê é o vice-presidente do Icatu, Mário Petrelli, que faz suas incursões no lobby e presidiu o Bradesco Saúde.
Degan com o FBI
O doleiro Jamil Degan, que vive em Nova York, chega a Miami nesta segunda, sob escolta do FBI, disposto a contar tudo o que sabe sobre o suborno a autoridades paulistas pela empresa MetroRED, que instalou cabos de fibras óticas na cidade. A lei americana pune com rigor companhias que subornam autoridades estrangeiras. O escândalo envolve brasileiros radicados na Flórida, como Olavo de Barros (preso), e políticos como Paulo Maluf e seu filho Flávio. Degan já cumpriu pena nos EUA, acusado de lavagem de dinheiro, e não quer repetir a experiência.
Reparação na Justiça
O diretor da revista Imprensa, Tão Gomes Pinto, está na Justiça processando aquele a quem chama de o indivíduo Sérgio de Souza, sua revista Caros Amigos e editora. Ele foi tachado de lobista pela revista, a mesma que não revelou a identidade do verdadeiro lobista que a pressionou a não publicar reportagem sobre Tomás, filho de FHC com a jornalista Míriam Dutra, da TV Globo. Vão ter que provar, desafia Tão.
Reforço
Deu no Diário Oficial: o presidente Fernando Henrique Cardoso nomeou o jornalista Marcelo Tognozzi para chefiar da assessoria parlamentar do Ministério de Minas e Energia. A partir desta segunda, Marcelo Auler assume o sua coluna política no jornal O Dia, do Rio de Janeiro.
Hora da vergonha
Por iniciativa do Movimento da Vergonha (www.vergonha. cjb.net), será apresentado à Câmara paulistana um requerimento de iniciativa popular, com assinatura de pelo menos 1% do eleitorado, convocando um plebiscito sobre a instalação de uma CPI para investigar a máfia municipal e o afastamento do prefeito e dos vereadores denunciados.
O movimento é coordenado pelo jornalista Maurício Huertas e já foi encampado pelo PPS, que fará do 1º de Maio o Dia da Vergonha.
Erário bem cuidado
F. Lamas, o lobista, sabe escolher seus clientes.
Era ele quem cuidava dos interesses de Ricardo Sérgio de Oliveira, aquele ex-diretor do Banco do Brasil que só tomava vinho de US$ 2,5 mil a garrafa e que confessou estar no limite da irresponsabilidade.
Crime ambiental
O Instituto Ambiental do Paraná apreendeu nesta sexta um precioso carregamento de madeiras extraídas ilegalmente em Rio Bonito do Iguaçu, na região Centro-Oeste do Estado. Entre as toras de canela, monjolo e marfim, os fiscais encontraram árvores com mais de 400 anos quase a idade do Brasil. O crime teria sido cometido no assentamento Marcos Freire, do MST, e a madeira se destinava à empresa Linoconelli, em Chopinzinho. A multa fixada é uma vergonha: R$ 35 mil.
Meu reino por um relógio
Todo homem tem seu preço, mas às vezes desconfiam da moeda. É o caso do juiz Osório Marques Bastos, de Curimatá (PI), que teria aceito um relógio Rolex do pistoleiro Hugo Alves Filho, o Huguinho, para não ser entregue à motosserra do ex-deputado Hildebrando Do Caixão Pascoal. A questão agora na PF em Teresina é se o excelentíssimo desconfiou do legítimo made in Paraguai e passou adiante ao coronel afastado da PM, Baltazar Rodrigues, que caiu como um patinho e executou a fatura. Ou se o Rolex de Baltazar, esse sim, era coisa fina.
Mórbida semelhança
Na opinião dos leitores da coluna, Jáder Barbalho e ACM se atacam porque são iguais. Foi tão expressiva a votação no quesito, que supomos que ambos sejam gêmeos univitelinos. Cara de um, focinho do outro.
Os leitores só não dizem que são filhos da mesma mãe, porque não dá certo esse negócio de pôr a mãe no meio.
Casa de marimbondos
Estão superfaturando até com as casas prometidas à comunidade pataxó, na região de Coroa Vermelha, sul da Bahia. Só foram erguidas até agora 40 das 150 moradias destinadas aos pataxós, em troca do auê oficial de 22 de abril. A um custo médio de R$ 12 mil cada, as casas poderiam ser construídas por um terço do preço, dado o material.
Em meio à lama, em todos os sentidos, os índios vêem ser erguidas construções de luxo, como um centro de convenções em Porto Seguro, para o desfrute dos brancos do governo César Borges.
PODER SEM PUDOR
Faça o que digo
O ex-presidente José Sarney, que não é dado a brigar com ninguém, passou vários anos sem dirigir a palavra a outro ex-presidente, Jânio Quadros. Tudo começou em 1978, quando o Congresso discutia um projeto concedendo pensão vitalícia aos ex-presidentes da República. Sarney era o relator do projeto no Senado, e foi procurado por Jânio:
Considero odioso e discriminatório o artigo que exclui desse benefício os ex-presidentes que tiveram decretada a perda dos direitos políticos.
Sarney achou que Jânio tinha razão e excluiu o dispositivo. Meses depois, o mesmo Jânio Quadros concedeu uma entrevista em que atacava a pensão, a que chamou de mordomia.
A briga só acabaria em 1985, com a morte de Tancredo Neves.
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