Cláudio Humberto (De Brasília)
Quando olharem minhas contas, vamos dar muitas risadas juntos (Ministro Rafael Greca, ao negar ter recebido US$ 6 milhões da máfia italiana)
Suspeitos na mira
A conselheira Hebe Romano não contou, mas foram dois auditores da Receita Federal (em atividade) os intermediários da tentativa de suborno no Cade, o conselho de defesa econômica do Ministério da Justiça, para manipular a decisão final sobre a fusão da Brahma com a Antarctica. Um desses auditores até já trabalhou no âmbito do MJ. A Polícia Federal está de olho na dupla, que pode ser presa nos próximos dias.
A revolta do ministro
Do alto de sua indignação, o ministro Edson Vidigal, do Superior Tribunal de Justiça, deu uma declaração incomum para um magistrado, sobre o deputado e bandoleiro Paulo Marinho, do PFL do seu Estado:
- Deplorável que um marginal, com tantos processos na Justiça, inclusive condenado por ladroagem, esteja solto por aí, acobertado por imunidade parlamentar, desafiando a sociedade, afrontando homens de bem, inclusive os juízes que, na defesa dos cofres públicos, têm o dever de sentenciá-lo. Não vou perder a serenidade. Nem me trocar com bandido.
Dinheiro no bolso
O deputado-bandido Paulo Marinho (PFL-MA), a quem o próprio pai chama de ladrão, não poderá ser eleito pelos próximos seis anos, segundo sentença definitiva do STJ. Ele foi condenado a devolver R$ 1 milhão que embolsou nos tempos em que chefiou o INSS do Maranhão, mas há dezenas de outros casos. Quando era prefeito de Caxias, ele conseguiu que a Fundação Nacional de Saúde liberasse US$ 500 mil para obras saneamento básico; segundo a CPI do Orçamento, 72 horas depois metade desse dinheiro estava em sua conta bancária particular.
Destempero marginal
Nesta sexta, o deputado-bandido do Maranhão, muito nervoso, atacou em São Luís veículos e jornalistas que revelam sua extensa folha corrida, incluindo esta coluna, como já fez contra a revista Época e a Folha de S. Paulo, acusando-nos de chantageá-lo ou de receber dinheiro para destruir sua boa reputação. O máximo que ele conseguiu foi acrescentar mais três processos aos 183 que já responde.
À saída, tentou agredir fisicamente o suplente Nam Souza, que assumirá o seu lugar na Câmara dos Deputados, e acabou levando uns sopapos.
Pensando bem...
...também temos um governo BO. Bom para otário.
Desfecho positivo
A Rede Record está próxima de receber uma indenização de US$ 32 milhões. É o valor que pleiteia no processo contra a Organización de Television Inero-Americana, que a impediu de transmitir a Copa do Mundo de 1998. O superintendente da Record, Demerval Gonçalves, que se encontra no México, participou da audiência, ao contrário do presidente da OTI, sinalizando desfecho favorável à emissora brasileira.
Indústria moderna
O presidente da Federação das Indústrias do Paraná, José Carlos de Carvalho, recebeu nesta terça o ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, para o lançamento de um programa de estímulo às exportações.
O ministro e demais convidados foram acomodados nas confortáveis poltronas (todas importadas) do auditório do Centro Integrado de Empresários e Trabalhadores, batizado quem adivinha? com o nome do próprio Carvalho.
Farra do camarão
Ambientalistas do Pará levantam suspeitas sobre a decisão presidente do Ibama, Marília Marreco, oficializada nesta quinta, que suspende a vigência do defeso que protegia o processo de desova do camarão rosa, 24 dias antes do término do prazo. Esse tipo de pesca movimenta milhões, todos os anos. Rindo à toa, os empresários do setor fizeram acordo para auxiliar o Ibama na pesquisa e até na fiscalização da atividade algo como entregar à raposa a vigilância do galinheiro.
Costas largas
Caso o Brasil compre mesmo o porta-aviões francês Foch, que segundo nossa rica Marinha irá patrulhar a costa brasileira, o bichão de milhões de dólares já tem nome: Fernando Beira-Mar.
Debate aberto
O Ibama assegura a transparência do processo que resultou na suspensão do defeso do camarão rosa, adotado desde 22 de dezembro após dois anos de liberou geral. O chefe do Departamento de Pesca do Ibama, Gilberto Sales, explicou que ainda se conhece pouco sobre o assunto e que é preciso aprimorar critérios técnicos e econômicos. Ele convida os ambientalistas que discordam da medida a participarem da redefinição desses critérios. O telefone de Sales é (61) 316-1480.
Mãos ao alto!
FHC se reuniu no Alvorada com os ministros Alberto Cardoso (Segurança Institucional), José Carlos Dias (Justiça), Pedro Parente (Casa Civil) e Geraldo Quintão (Defesa) para discutir o lançamento de um plano nacional de segurança pública de combate ao crime organizado, em especial o tráfico de drogas. Deve vir por aí mais uma Medida Provisória, desta vez para acabar a violência no País por decreto. A reunião contou com um expert em questões criminais: o ex-governador do Rio, Moreira Franco, assessor especial da presidência.
Menino veneno
A mulher do ex-deputado Hildebrando Pascoal disse durante o julgamento no Tribunal do Júri de Rio Branco (AC), que seu marido motosserra é um doce. Doce para diabético.
Validade vencida
Há seis anos, a Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais se dispôs a reduzir em até 25% o preço de alguns remédios, mas queria os genéricos nas prateleiras, junto com os de marca. O decreto 793, de autoria do ex-ministro da Saúde, Jamil Haddad, foi considerado um abacaxi, mas o ministro seguinte, Henrique Santillo, que deu um jeitinho. Tanto que recebeu loas do eterno presidente da Abifarma, José Eduardo Bandeira de Mello, representante dos laboratórios multinacionais.
A casa é sua
O deputado Jamil Haddad (PSB-RJ), que criou o decreto 793, diz que sofreu todo tipo de pressão. De seu colega Ciro Gomes, então ministro da Fazenda de Itamar, e do pesado lobby das multinacionais farmacêuticas. Segundo o Conselho Regional de Farmácia, a Vigilância Sanitária costuma avisar com antecedência antes de vistoriar laboratório.
O PODER SEM PUDOR
Pé-de-chinelo
Candidato a presidente, Adhemar de Barros fazia sua campanha, em 1955, quando um dia formulou uma frase bonita, num comício:
Vamos nivelar os homens pela cabeça; não somos daqueles que os procuram nivelar pelos chinelos!
Mas o discurso não agradou e um assessor sugeriu:
Seria melhor substituir chinelos por tornozelos. Ficaria menos vulgar...
Tornozelo é para grã-fino. Chinelo qualquer pé rapado tem, respondeu.
NR. Excepcionalmente, a coluna de Cláudio Humberto é publicada hoje nesta página.





