Cláudio Humberto (De Brasília)
Cláudio Humberto
De Brasília
Cláudio Humberto Rosa e Silva
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CLÁUDIO HUMBERTO
De Brasília
A vida pública tem que ser ilibada, transparente
(Do brigadeiro Walter Werner Brauer, demitido pelo ministro da Defesa, Élcio Alvares, que certamente discorda desse conceito)
A Câmara dos Deputados gasta por ano cerca de R$ 15,5 milhões em contratos com empresas fornecedoras de mão-de-obra, em lugar de promover concurso público, como manda a lei.
Esse expediente, muito utilizado para contratar funcionários sem qualificação, como faxineiros, arrumadores, copeiros etc, agora também serve para atender às indicações fisiológicas dos parlamentares, na contratação de secretárias, recepcionistas, assessores de imprensa etc. Em grande parte dos casos, com salários superiores aos vencimentos do pessoal concursado do quadro permanente da Câmara.
Gastos exagerados
Além de burlar a obrigatoriedade constitucional do concurso público, impressionam os valores pagos pela Câmara dos Deputados às empresas prestadoras de serviços, reforçando as suspeitas de superfaturamento, de empreguismo e outras irregularidades.
O pessoal terceirizado da TV Câmara, por exemplo, custa em média R$ 258,9 mil por mês quase o que a TV Globo de Brasília gasta com seus funcionários. Na Rádio Câmara, os R$ 138,4 mil pagos à empresa que contratou seus empregados, seriam suficientes para custear os salários das cinco principais emissoras privadas de rádio FM da capital.
Eleição gaúcha
O Tribunal de Justiça gaúcho estará reunido nesta segunda, em suas belíssimas instalações, para realizar sua primeira eleição de presidente. São 125 desembargadores, incluindo quinze mulheres.
Concorrem Élvio Pinto Schuch e Luiz Felipe Vasques de Magalhães. Élvio já foi presidente do TRE, tem cacife na mídia e o apoio do atual presidente. Luiz Felipe, atual 2º vice-presidente, faz o tipo carrancudo. A disputa é tão acirrada que o vencedor terá 10 votos a mais, se tanto.
Bois de piranha
Não tem mais desculpa. Dois cursos de Direito que já estavam pendurados e haviam recebido o ultimato no Conselho Nacional de Educação, voltaram a receber conceitos ruins no Provão, pelo quarto ano consecutivo. O da Faculdade Anhanguera de Ciências Humanas, de Goiânia (GO), deve ser fechado, porque tirou novamente conceito E.
Outro que está por um triz é o da Universidade Santa Úrsula, do Rio de Janeiro, que ficou com conceito D pela quarta vez. Se a ameaça de fechar cursos for realmente séria, estes dois últimos não escapam.
Sangue português
O tenente-coronel Otelo Saraiva, herói da Revolução dos Cravos em Portugal, está sendo julgado em Lisboa pela morte de 18 pessoas em atentados terrorristas da FP-5, grupo de extrema esquerda que liderava.
O julgamento de Saraiva e outros 63 acusados surpreendeu os portugueses, pois Otelo foi julgado e condenado em 1984, mas libertado pelo presidente Ramalho Eanes. Mas a anistia, há três anos, não abrangeu os chamados crimes de sangue. A FP-5 teria tido ligações com o IRA, as Brigadas Vermelhas e a Líbia, de Muamar Kadafi.
Briga goiana
O advogado Ismar Estulano Garcia, ex-presidente da OAB de Goiás entre 91 e 94, enviou ao conselho federal da entidade, em Brasília, um pedido de intervenção na seccional goiana. Ele acusa o atual presidente, Felicíssimo José de Sena, em seu quinto mandato, de falsificar e usar documentos falsos, extraviar documentos e até de grampear telefones.
Felicíssimo não se intimida. Garante que as denúncias são falsas e conclui: Ele está demente.
Passando a borracha
Os poderes de ACM, que alguns consideram divinais, fazem até sumir senadores. A cena foi registrada pela TV Senado, na última sessão deliberativa da casa. O senador Luiz Otávio (PPB-PA) declarou que não votaria em determinada matéria. Em resposta, ACM, presidente da mesa, ordenou a imediata eliminação do seu registro, considerando-o ausente. Depois sugeriu que em lugar de não votar, que se abstivesse.
O senador, presente em carne e osso, ficou sem saber o que fazer com o direito regimental de votar, de não votar ou de se abster.
Avança, Brasil
O México está em 17º lugar entre os países exportadores, com mais de 2% do mercado. O Brasil em 28º, com menos de 1%. No ranking de mortalidade infantil da Unicef, estamos abaixo de Cuba, Líbia, Paraguai, Suriname, Equador, Albânia e Vietnã. Empatamos com o Cazaquistão e, ainda bem, vencemos o Haiti, Uganda e Iraque.
É o legado do estadista Fernando Henrique após seu longo reinado.
Presente de Natal
Pelo menos para Laumir Barreto, presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas do Rio Grande do Norte, Papai Noel existe e não sabe o que é crise na hora de presentear.
Indicado juiz classista do TRT da 21ª Região em outubro de 98, ele está em disponibilidade desde segunda-feira da semana passada. Laumir agora vai ficar em casa ganhando sem trabalhar até o fim do mandato, em outubro de 2000. Como ele, classistas de todo o País, colocados em disponibilidade, deixarão de receber por sessão, como era antes, para ter salário integral, sem dar um prego numa barra de sabão.
Emprego ecológico
O pesquisador americano Frank Wolff, que desenvolve projetos de pós- graduação no Parque Nacional da Serra da Capivara (PI), está contratando assistentes de campo, a partir de janeiro, para suas pesquisas de uso e habitat de carnívoros no parque, entre outras. Trata-se do maior parque nacional de caatingas e patrimônio da humanidade.
Os estudantes devem desenvolver trabalhos independentes e receberão alimentação, hospedagem, bolsa mensal e certificado. O email para mandar currículo e obter informações é [email protected] .
Pró-memória
Registre sua mensagem de solidariedade às vítimas do Palace II e de júbilo pela prisão de Sérgio Naya através do site (competentíssimo)
www.zaz.com.br/cgi-bin/index_frame/brasil/1999/12/15/004.htm.
O PODER SEM PUDOR
Manda quem pode
No final do seu primeiro governo, FHC recebeu um amigo baiano no Palácio da Alvorada, e fez rasgados elogios a dois ministros indicados pelo senador Antônio Carlos Magalhães: Waldeck Ornélas, da Previdência, e Raimundo Brito, de Minas e Energia. O amigo do presidente saiu dali direto para o gabinete de ACM, determinado a promover uma intriga do bem. O babalorixá apenas murmurou:
- É, o Waldeck é muito bom mesmo.
O porta-recados ficou sabendo assim, em primeira mão, que Raimundo Brito não continuaria no cargo. De fato, no dia seguinte, o próprio FHC ligou para ACM e comunicou a decisão de manter os dois ministros, no segundo governo. O presidente do Senado fulminou:
- O senhor nomeia quem quiser, presidente, mas eu indico quem quero. O meu nome para o ministério de Minas e Energia é Rodolfo Tourinho.
O resto da história todos conhecem, exceto as razões de ACM.
Cláudio Humberto Rosa e Silva
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