Ciro Gomes, uma opção à direita - Valmor Stédile
Ciro Gomes, uma opção à direita
Valmor Stédile
O jornalista Sebastião Nery comentou em sua coluna, publicada em vários jornais, que Ciro Gomes está enrolado até o pescoço nas cordas de seu próprio pára-quedas pelas suas complicações com a Receita Federal. Disse que tentando se explicar, o ex-ministro da Fazenda mandou uma carta ao jornal Folha de S. Paulo, contendo uma confissão devastadora: Há quase cinco anos tenho vivido exclusivamente de meu trabalho que se constitui de salário mensal pago pelo Jornal do Brasil, de R$ 5.000, e palestras técnicas sobre economia, cujos valores estão todos rigorosamente declarados ao Fisco.
Ao deixar o governo do Ceará, no início de 1995, o precoce presidenciável encaixou-se na folha de pagamento do Jornal do Brasil, mas, de acordo com Sebastião Nery, no trabalho mesmo só apareceu dois anos depois, em 97, quando fazia terapia ocupacional e cursinho de político bonzinho globalizado, na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, com artigos semanais. Não ficou nem um ano. Depois, nem isso, relatou o jornalista, considerando estranhíssimo um político receber salário mensal de R$ 5 mil do jornal sem trabalhar. Além disso, questionou que se todo o dinheiro que Ciro Gomes vem acumulando seria o pagamento ao que fez pelo jornal como governador e ministro ou ao que fará caso chegue à Presidência.
Não há dúvida de que se as eleições presidenciais fossem hoje a direita brasileira já teria escalado Ciro Gomes para suceder o presidente Fernando Henrique Cardoso, da forma como fizeram deste o sucessor eleitoral de Fernando Collor de Mello. A mídia escala e os meios políticos conservadores ou saem atrás, ou ficam retraídos observando. Como as eleições nacionais ainda estão distantes, as coisas podem mudar de acordo com as tendências do eleitorado (aí é que atuam os institutos de pesquisas, monitorando tudo nos mínimos detalhes). Para qualquer eventualidade, outros nomes vão sendo sondados. Conformam-se com a reserva e ficam esperando que chegue a oportunidade, de preferência antes que o pretenso candidato se torne efetivamente candidato ou presidente.
As mais recentes declarações do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, confirmam a esperteza desses meios: ...Eu não vou em aventura. Hoje, eu não tenho certeza se ganharia. Se você me ver candidato, é porque eu acredito que vou ganhar. Hoje, eu não acredito. Está claro que a certeza estampada hoje na mídia é Ciro Gomes, que se não emplacar poderá ser logo substituído por outra farsa. ACM, quem sabe?
- VALMOR STÉDILE é advogado em Curitiba, membro do diretório nacional e secretário de Comunicação do PDT do Paraná





