Ciro acusa Serra por denúncias
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de junho de 2002
Da Redação 
O candidato do PPS à Presidência, Ciro Gomes, acusou ontem o senador José Serra, do PSDB, de estar por trás de um esquema de arapongagem para atingir seus adversários na disputa presidencial. É de chamar a atenção que todos os candidatos que opõem resistências ao atual governo têm sofrido constrangimentos a partir de dossiês e escutas telefônicas, disse Ciro, referindo-se às denúncias contra a ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney (PFL) e agora contra o PT, devido a um suposto esquema de propinas na Prefeitura de Santo André (SP).
Essa gente que apóia o senhor José Serra tem estado por detrás da maior parte dessas coisas, e é preciso que a sociedade se acautele para que não seja amanhã manipulada por esses expedientes fascistas, afirmou.
O presidente nacional do PSDB, deputado José Aníbal (SP), respondeu por Serra: O Ciro é um candidato cada vez mais sem rumo. Está se autodesqualificando a cada dia que passa.
Questionado sobre o interesse de Serra nas denúncias, Ciro foi taxativo: Não tenho a menor dúvida. De acordo com o candidato, todas as denúncias devem ser investigadas severamente, mas os acusados têm direito à presunção de inocência.
Ele foi um dos primeiros candidatos da oposição a levantar suspeitas sobre a operação da Polícia Federal na empresa Lunus, de propriedade de Roseana e seu marido, Jorge Murad, onde foram encontrados R$ 1,34 milhão. A repercussão do episódio acabou forçando a renúncia da candidata do PFL à sucessão presidencial, que passou desde então a anunciar disposição de fazer campanha para Ciro.
Durante algum tempo, a ex-governadora também acusou o PSDB de preparar um esquema de arapongagem para prejudicá-la. Em represália nunca assumida formalmente, a Polícia Militar do Maranhão chegou a invadir uma unidade dos policiais federais em São Luís - o que foi tratado posteriormente como mero mal-entendido.
Apesar de qualquer conotação eleitoral que se atribua às investigações, os procuradores se defendem argumentando que os fatos falam por si. No caso do Maranhão, o próprio Murad assumiu a responsabilidade pela arrecadação do R$ 1,34 milhão e apresentou uma lista de doadores com amigos e parentes para tentar explicar a origem e destino do dinheiro. Agora, em Santo André, várias testemunhas confirmaram o esquema de extorsão de empresários do setor de transportes, embora não haja provas de que parte das propinas ia para o caixa 2 de campanhas petistas.


