Uma solenidade às 20 horas de hoje, em Londrina, reinaugura o Cine Teatro Ouro Verde, um dos ícones culturais da cidade. Mas, restaurado pelo programa Velho Cinema Novo, da Secretaria de Estado da Cultura, o Ouro Verde, tombado pelo Patrimônio Histórico do Paraná, renasce capenga. O cinema, por enquanto, deixa de ser cinema, porque um componente essencial para que sua tela mostre aos londrinenses e visitantes lances de filmes interessantes deixa de ser fornecido pelo governo: os projetores.
É uma história que se repete em praticamente todas as localidades que tiveram projetos de restauração pelo Velho Cinema Novo. As fachadas dos prédios que abrigam as salas de exibição receberam plásticas e foram rejuvenescidas. Poltronas novas ou reformadas dão conforto. E o que se vê à frente? O público londrinense ainda assim é um privilegiado. Pois o Ouro Verde dispõe de palco, onde um concerto musical, hoje, marcará a reinauguração do espaço cultural. E em outras localidades, que nem palcos têm? Sem projetores, a entrega destas obras pelo governador e seus assessores da área cultural perde sentido. E, para o público, soa, no mínimo, como estranho alguém inaugurar alguma coisa que serve no momento para nada.
O Ouro Verde foi originalmente inaugurado no dia 24 de dezembro de 1952 e, na época, foi considerado o maior e mais luxuoso cinema do interior do País, conforme a Folha relembra em reportagem no caderno Folha 2. Oferecia 1,5 mil lugares e a arquitetura tem a assinatura de Villanova Artigas. É parte da história de Londrina este cinema, que após anos servindo como sala de exibições de filmes passou a sediar outros espetáculos importantes para a cidade, como shows, concertos musicais e teatros. Mas a falta de projetores os que estavam no local terão que ser reformados deixa um espaço branco entre o público londrinense e a parte onde deveria haver uma tela, porque nem isso foi instalado.
Perde, assim, a cultura, embora espetáculos de música, dança e teatro dos níveis que acontecem em Londrina sejam expressivos. Perde o londrinense, recebendo, após meses de obras, o seu cinema sem filme. Perdem os governantes que saem e entregam uma obra pela metade. A história não esquecerá.

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