Cinco meses de ganho do povo, para o Governo
A partir do último domingo, o brasileiro começou a trabalhar para ele próprio neste ano, porque do primeiro dia de janeiro até sábado ele trabalhou exclusivamente para o Governo. Esse resultado é a exata amostragem de que cada trabalhador destinou para pagamento de impostos diversos, todos os seus ganhos durante 4 meses e 26 dias. Vinte anos atrás essa cota era de 82 dias, e agora são 146. Uma parte desse suado dinheiro do povo é destinado a alimentar os superfaturamentos de obras e serviços, altos salários, mordomias, esbanjamentos e corrupção no geral.
O Governo central abocanha mais de 60% da receita tributária nacional, mas os abusos não acontecem apenas na esfera federal e sim também nos governos estaduais e municipais. Ao lado da corrupção ''clássica'' e muito familiar aos administradores públicos, como a citada nos itens acima - também nas repartições públicas há muito desperdício, gastos desnecessários e favoritismos em troca de propinas. Se isso não bastasse, nos últimos 20 anos foram editadas 230 mil normas tributárias, totalizando 2,6 milhões de artigos, 6 milhões de parágrafos e 19 milhões de incisos.
É difícil a cadeia produtora andar em meio a esse cipoal. O mais competente dos contabilistas não poderá acompanhar essa proliferação de institutos legais e não conseguirá livrar a empresa de alguma infração, porque terá de fazer uma maratona diária para acompanhar tudo o que é editado no universo das leis. E muitas delas não são claras, dando margem a variadas interpretações, e algumas são conflitantes entre si, para não falar daquelas já inadequadas. Leis demais (e confusas), impostos demais, uso abusivo da arrecadação, enfim governo demais, tudo isto induzindo à sonegação e à informalidade, e nessa roda-viva implanta-se a desordem.
Os parlamentares, que são os que criam as leis fundamentais, compõem uma comunidade de pouco juízo - ou não haveria tanta complexidade legal - envoltos muitos deles em grossa corrupção. Junto a estes, pegaram carona algumas proeminentes figuras do Poder Judiciário, e assim robustece-se o arsenal da violência contra os cidadãos. Porque a violência não é apenas a dos bandidos que assaltam, roubam e molestam, mas também desse banditismo institucionalizado que mina as economias do povo, assim como a burocracia instalada que, por meio de tantos entraves, dificulta os avanços econômicos e sociais e inferniza a vida dos cidadãos.





