Cigarro e saúde
A redução da quantidade de fumantes no Brasil mostra que as leis e as campanhas antifumo têm apresentado resultados positivos. Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, feito por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo, aponta que nos últimos seis anos, a prevalência de fumantes diminuiu 20%, passando de 19,3% em 2006 para 15,6% em 2012. A redução foi registrada em todas as faixas etárias, em todas as regiões brasileiras e nos dois sexos.
Se no total os resultados são positivos, há fatores preocupantes e que não podem ser ignorados. Os fumantes estão consumindo mais cigarros por dia e considerando cada vez mais difícil passar um dia sem fumar; metade dos brasileiros já experimentou cigarro e a idade média da primeira tragada é de 16 anos; os fumantes consomem, em média, 14,1 cigarros por dia. Além disso, a maioria dos fumantes menores de idade disseram não encontrar dificuldade para comprar cigarro, sendo que a maioria o faz em bares.
Neste ponto, há falhas e é preciso mais atenção do poder público. A falta de fiscalização no comércio é latente, tanto que menores não encontram dificuldades para comprar cigarros e bebidas alcoólicas. Se o acesso for dificultado, pode ser que a quantidade de fumantes caia ainda mais.
Além disso, é preciso reiterar os males provocados pelo fumo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o cigarro causa seis milhões de mortes por ano no mundo, a maioria em países de baixa e média renda. Segundo a OMS, se essa tendência se mantiver, o número de mortes ligadas ao fumo deve aumentar para oito milhões ao ano em 2030.
Os números divulgados ontem são relevantes, mas também indicam que a vigilância deve ser mantida e reforçada. A continuidade das campanhas é importante porque trouxe resultados positivos e efetivos, mas é preciso maior rigor na fiscalização sobre a venda do cigarro. Punição severa aos comerciantes que efetuarem as vendas, aplicação de multas e até cassação de alvará são algumas das medidas que deveriam ser implantadas com urgência. A falta de iniciativas como essas, acarreta em mais pessoas viciadas e, consequentemente, em sobrecarga no sistema de saúde.





