Cientistas ainda não sabem qual sexo sonha mais, porém afirmam que há diferenças nos sonos masculino e feminino. Por exemplo, quanto à movimentação, os homens são mais inquietos, pelo menos quando dormem na mesma cama.
'' É importante lembrar que a movimentação pode ser causada por distúrbios do sono, problemas respiratórios e neurológicos. Alguns podem ser mais frequentes em ambos os sexos, dependendo da idade, de condições especiais, como a gravidez, e de alterações metabólicas ou hormonais'', diz o médico José Mataruna.
Há estudos mostrando que os homens roncam mais e sofrem mais de apnéia do sono. Já a insônia ocorre com maior frequência em mulheres e pode estar associada a fatores hormonais.
''A progesterona estimula o sono e durante o período menstrual o nível desse hormônio cai subitamente. Na gravidez as alterações hormonais podem alterar os padrões normais de sono'', explica o médico.
Casais usam criatividade para dormir melhor
Criatividade - A professora de inglês Cláudia Portella Almeida Gomes sofre de insônia há um ano, desde que seu filho, Samuel, nasceu. Para piorar, seu marido, Haroldo, ronca e tem apnéia do sono. A saída para o casal foi dormir em quartos separados, inclusive o bebê.
''Antes de engravidar, eu dormia e acordava tarde. Com a insônia fico cansada e irritada. Estou tratando, mas ainda acordo de uma a duas vezes à noite. Haroldo emagreceu e iniciou tratamento, melhorou um pouco, mas ainda dormimos em quartos separados'', conta Cláudia.
Para o sexólogo Amaury Mendes Júnior, a sociedade tem uma cultura da intimidade compartilhada, que acaba fazendo com que as pessoas considerem fundamental dormir juntas para o casamento dar certo ou, pelo menos, para parecer que dá certo.
''Saber respeitar as diferenças no relacionamento é decisivo, mas quando elas são inconciliáveis não significa que o casamento acabou. Se o parceiro ronca muito, gosta de ar-condicionado forte, tem horários diferentes para se deitar ou, de alguma forma, atrapalha o sono do outro, não significa que eles sejam obrigados a dormir juntos. Alguns casais optam por camas ou quartos separados numa decisão madura em prol dessa relação. Eles mantêm o triângulo de sexo, companheirismo e objetivos comuns (base de qualquer casamento), mas preferem garantir a qualidade do sono'', diz.
Kika Gama Lobo e Sebastian Archer são casados há 16 anos e sempre dormiram em quartos separados. ''Temos hábitos muito diferentes: ele gosta de ar-condicionado, dorme muito tarde (por causa de uma ligeira insônia) e adora assistir a programas de política na TV, principalmente à TV Senado. E ainda tem aquela coisa tipicamente masculina do ronco. Eu durmo cedo, odeio ar e detesto política. Decidimos que seria melhor cada um ter seu espaço. E funcionou bem assim. Quando nossas filhas, hoje com 7 e 5 anos, nasceram, ele ficava no meu quarto com elas durante o dia, quando eu saía para trabalhar. Toda vez que falo nisso as pessoas se espantam porque os brasileiros têm essa cultura do chamego, do dormir agarradinho. Nós optamos por melhorar a qualidade do sono. E ainda dá uma certa criatividade na hora do namoro: sempre temos duas opções de quarto para escolher'', conta Kika.
Andrea Carvalho Castro e Antonio Castro estão casados há seis anos. Ele dorme na rede; ela, na cama: ''O pai do meu marido era comandante de uma embarcação na Amazônia. Ele nasceu e cresceu dormindo em rede. Quando veio fazer faculdade aqui no Rio, há 12 anos, começou a dormir em cama. Mas nunca se adaptou. Acho que seria uma violência muito grande obrigá-lo a ficar numa cama só para cumprir a formalidade de dormirmos juntos. E como ele é muito mais calorento do que eu, fizemos uma adaptação no quarto: a rede fica perto da janela e a cama do lado oposto. Até agora, está dando certo assim. Às vezes, a gente namora na rede ou na cama. E também dormimos juntos. Mas o melhor é que cada um sabe que não está fazendo nada forçado para agradar ao outro'', diz Andrea.
Paulo Aurélio Marques e Sônia Gomes Marques estão casados há 34 anos. Ele dorme do pé para a cabeceira; ela, ao contrário.''Já mudamos a posição da cama diversas vezes a fim de adaptá-la aos nossos hábitos. Gosto de ver TV na cama até tarde e ela prefere dormir cedo. Quando dormíamos do mesmo lado, ela reclamava da claridade da TV no rosto. Decidi, então, mudar a TV de posição e mudar a minha posição na cama. Depois, trocamos de lado. Ela se levanta muito mais do que eu para ir ao banheiro, então é justo que durma mais perto da porta. Como eu roncava muito alto fiz tratamento. Ela adorou. Só não acertamos ainda a temperatura do ar-condicionado. Acho graça porque, conversando com amigos, descobri que, em geral, as mulheres são muito mais friorentas do que os homens. Se dependesse da Sônia, nem ligávamos o ar. Mas, como sinto calor, ela aceita que o aparelho fique ligado. Mas dorme com um edredon enorme'', conta Marques.(Agência Globo)

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