Ciência busca qualidade de vida
O que mudou no tratamento e na abordagem da doença nesses 30 anos de epidemia da Aids?
Hoje a preocupação da ciência não é tempo de vida para o paciente e, sim, qualidade de vida, porque ele vai viver, justamente pelas inovações científicas ocorridas. Existem dois momentos do HIV: a era pré-tratamento completo, que vulgarmente se conhece por coquetel, quando se tentava manter o paciente vivo, período que foi de 1980 a 1995, no Brasil. A partir de 1995, teve-se um aumento dessa sobrevida com as medicações novas. Como ele vai viver num mundo onde a Aids ainda é uma doença estigmatizada? Quais são os deveres dele como cidadão? O médico deve mostrar para o portador que ele pode terminar a faculdade, criar os filhos. Não existe mais ''a cara da Aids''.
Ainda existem grupos de risco?
A Aids já foi chamada de ''peste gay''. Mas é muito difícil não pensar que um portador do HIV não seja usuário de droga, homossexual ou profissional do sexo. O maior índice de crescimento de contaminação, hoje, são de casais monogâmicos, onde um se contamina do parceiro. Quem apresenta mais risco: um casal que mantém relação sem preservativo ou uma profissional do sexo que usa sempre preservativo? Não existe mais grupo de risco, mas fator de risco.
A população não aprendeu a se prevenir da doença?
O medo da contaminação está presente na nossa geração, mas a educação por medo é diferente da educação por informação. O medo traz momentos de precaução e momentos de risco também. Uma pessoa uma vez me disse que queria demitir a empregada depois que descobriu que ela era portadora do vírus, no entanto, ela mantinha relação sem preservativo com o parceiro. Devemos ter precaução com a pessoa que mantemos relação sexual.
Fazer uma transfusão de sangue é seguro hoje?
O risco era absurdamente maior no passado. Hoje é infinitamente mais difícil se contaminar por transfusão. Nos últimos cinco anos, não temos casos notificados no Brasil de contaminação por transfusão de sangue. É um alívio.





