Cidades seguras
Sair de casa e deixar a porta destrancada, deixar o carro aberto enquanto vai ao supermercado ou andar sozinho pelas ruas de madrugada podem ser atitudes descuidadas ou perigosas em muitos lugares do mundo, mas não em vários municípios paranaenses que se apresentam como seguros. No Estado, dos 399 municípios, 147 atravessaram o ano passado sem registrar homicídios. A lista cresceu 8,8% ao longo dos últimos cinco anos e o mais recente relatório estatístico realizado pela Coordenadoria de Análise e Planejamento Estratégico da Sesp (Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária) mostra que uma fatia considerável de cidades conseguiu melhorar, pois em 2013, a lista tinha 135 cidades.
Essas 147 localidades estão espalhadas por todas as regiões do Paraná, sendo a maioria no Noroeste, com 21 municípios. Na sequência vêm o Oeste (16), Sudoeste (15), Centro-Oeste (14) e Região Metropolitana de Maringá e Norte Pioneiro, com 12 municípios cada uma. Há uma característica comum a todas essas cidades: o número de habitantes não passa de 30 mil.
Para as estatísticas de segurança do Estado, o aumento do número de municípios com homicídio zero foi um ponto muito positivo, reduzindo o número de assassinatos no balanço geral referente a 2017. Considerando ainda que na capital, Curitiba, e nas maiores cidades as mortes provocadas também caíram. No ano passado, foram 2.290 crimes que resultaram na morte das vítimas contra 2.649 em 2013, uma queda de 13,5%. A situação ainda é melhor para 18 desses 147 municípios, pois eles não registram assassinatos desde 2012.
E o ano começou bem para 250 municípios paranaenses que não registraram homicídios dolosos no primeiro trimestre de 2018, segundo levantamento da Sesp. O número corresponde a 64% das cidades do Estado. Os cálculos da secretaria não consideram latrocínios e crimes de lesão corporal que resultam em óbito, que entram em outra tipificação criminal. Mas a reportagem da FOLHA, publicada na edição do último fim de semana, contabilizou todas as mortes provocadas. A Sesp justifica a queda no número de homicídios lembrando que a redução dos crimes contra a vida é uma prioridade no Estado.
Não é simples determinar os fatores que tornam uma cidade mais segura. Na estatística paranaense, o tamanho parece ser um critério importante. Os próximos meses que precedem as eleições são propícios para que se reflita sobre segurança, uma das principais preocupações dos brasileiros. É preciso estar atento às propostas diretamente ligadas à segurança e também analisar aquelas que podem melhorar fatores que contribuem para os altos índices de criminalidade, como a desigualdade social, o desemprego e o crescimento desordenado das cidades.





