Cidades maiores, planejamento inadiável
Expansão da área urbanizada brasileira exige planejamento para evitar que o crescimento aumente custos, desigualdades e riscos ambientais
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de agosto de 2026
Expansão da área urbanizada brasileira exige planejamento para evitar que o crescimento aumente custos, desigualdades e riscos ambientais
Folha de Londrina 
A pesquisa Áreas Urbanizadas do Brasil, divulgada terça-feira (18) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) trouxe uma radiografia do processo de urbanização do território brasileiro entre 2019 e 2022. Nesse período, a área urbanizada do país cresceu 12,27%, incorporando quase 6 mil quilômetros quadrados à malha das cidades — uma extensão próxima à do Distrito Federal (5.760 km²). É um número que impressiona e leva à reflexão sobre o futuro das cidades brasileiras.
Segundo os dados de 2022, os mais recentes disponíveis, o país tem 53.925 quilômetros quadrados de área urbanizada, o que representa apenas 0,6% de todo o território brasileiro. Parece pouco, mas é preciso considerar que a expansão não ocorre de maneira homogênea. O IBGE analisou que ela se concentra principalmente no Litoral, acompanha grandes eixos rodoviários e avança sobre áreas periféricas e novos vetores de ocupação.
O instituto chegou às informações com base em interpretação de imagens de satélite e o estudo não apresenta dados sobre número de população nas áreas mapeadas nem crescimento vertical das áreas. Essa fotografia é feita de cima, praticamente dos telhados de moradias, comércios, indústrias, do alto de estruturas não residenciais, de vazios intraurbanos, loteamentos vazios e outros aspectos.
A pesquisa do IBGE revelou ainda que metade da área urbanizada (50,35%) está em cinco estados: São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Bahia.
Os objetivos do estudo são mapear e medir as formas urbanas e a sua distribuição em todo o território nacional, de forma a acompanhar a evolução do fenômeno urbano. Isso ajudará a abastecer de dados os projetos de quem planeja o futuro das cidades, pensando em mobilidade, habitação e sustentabilidade. É uma ferramenta que fornece instrumentos para os gestores públicos pensarem o território antes que problemas estruturais apareçam e ganhem ainda mais relevância diante das mudanças climáticas.
Áreas impermeabilizadas, redução da vegetação, ocupação de regiões ambientalmente frágeis e expansão sem planejamento ampliam riscos de enchentes, ilhas de calor e outros eventos extremos.
Quando a expansão urbana é feita de maneira desarticulada, o custo aumento para levar serviços como transporte urbano, saneamento, educação e saúde à população. O resultado pode ser uma cidade maior, mas não necessariamente melhor.
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