Ruas conectadas, sensores espalhados pela cidade, sistemas abastecidos por inteligência artificial e dados. Uma cidade inteligente pode incluir essas ferramentas, mas especialistas no tema vêm defendendo que o conceito se amplia para a capacidade que o município tem de planejar o presente sem comprometer o futuro, colocando as pessoas no centro das decisões. Essa é uma mudança de perspectiva que ganha força internacionalmente.

As discussões realizadas na 27ª edição do EncontrosFolha, realizado no último dia 3, mostraram que tecnologia, sustentabilidade e urbanismo não podem caminhar em trilhas separadas. Uma cidade preparada para os desafios das próximas décadas precisa ser, ao mesmo tempo, ambientalmente responsável, socialmente inclusiva, economicamente dinâmica e atenta diante das mudanças climáticas e dos eventos extremos.

O desafio, portanto, é transformar conceitos em políticas públicas permanentes. Não basta incorporar a sustentabilidade aos discursos e aos planos municipais. É necessário que ela esteja presente nas decisões cotidianas sobre mobilidade, habitação, ocupação do solo, áreas verdes, saneamento, energia, preservação do patrimônio e revitalização dos espaços públicos.

A 27ª edição do EncontrosFolha trouxe para o debate a experiência de Curitiba, falando de planejamento de longo prazo, associado à participação social e ao uso inteligente de dados. Também abordou a recuperação de imóveis abandonados, a ocupação habitacional das áreas centrais, o estímulo ao comércio no térreo dos edifícios na região histórica e a criação de espaços urbanos mais voltados às pessoas. Um exemplo de que a sustentabilidade também passa pela maneira como ocupamos e reaproveitamos aquilo que a cidade já possui.

Nesta edição, a FOLHA traz reportagem especial com a cobertura do EncontrosFolha, que deixou reflexões importantes, como o fato de que a sustentabilidade não se resume à preservação ambiental. Uma cidade sustentável é aquela que usa melhor seus recursos, ocupa racionalmente seu território, oferece moradia digna, facilita a mobilidade, protege seu patrimônio, cuida das suas áreas verdes e cria espaços públicos seguros e acolhedores. Também é aquela que consegue crescer sem produzir mais desigualdades.

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