Cidades do século 21 não podem privilegiar o automóvel
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quarta-feira, 09 de setembro de 2020
Folha de Londrina 
O mundo já caminhou duas décadas do século 21 e pouco se avançou na democratização dos espaços públicos quanto à mobilidade urbana. Ainda temos uma engenharia de trânsito que privilegia o automóvel e isso reflete também no comportamento do motorista, que pouco respeito tem por pedestres e ciclistas. É possível dizer que quando se trata de trânsito, as cidades ainda estão no século 20.
Muito se discute sobre mobilidade urbana no Brasil e sobre os benefícios para o bem-estar do cidadão, para a qualidade de vida e para o meio ambiente a partir do uso de diferentes tipos de modal de transporte.
Mas é necessário refletir se o debate em torno da mobilidade urbana tem surtido efeito na vida das pessoas que vivem em médias e grandes cidades.
Qual o espaço que as engenharias de trânsito dos municípios têm reservado para pedestres e ciclistas com soluções para ciclovias, calçadas de qualidade e semáforos para pedestres, por exemplo?
A falta de políticas públicas de incentivo a outros modais de transporte no espaço urbano tem custado vidas e causado grandes tragédias. Uma pesquisa feita pela Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego) aponta que 13.718 ciclistas morreram no trânsito no Brasil entre 2010 e 2019. Considerando apenas os casos envolvendo atropelamentos foram registrados no País 8.363 óbitos, sendo 845 no Paraná. O Estado perde apenas para São Paulo onde ocorreram 1.364 mortes em acidentes com atropelamento no mesmo período.
A quantidade de internações desde 2010 até o primeiro semestre de 2020 ultrapassa 12 mil registros pelo SUS. Os gastos anuais com o tratamento de ciclistas traumatizados em colisão com motocicletas, automóveis, ônibus, caminhões e outros veículos de transporte chegam a R$ 15 milhões.
Velocidade acima da permitida, imprudência, desrespeito. São muitos os fatores que levam aos acidentes envolvendo automóveis e bicicletas. O índice de mortes é alto, como se verifica no estudo da Abramet, e é preciso alertar a população para fatores que aumentem a segurança dos ciclistas. Nesse ponto, é necessário que a engenharia de trânsito pense em soluções de espaço seguro e os motoristas adotem comportamento de prevenção e respeito.
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