Cidades condenadas a dormitórios
Oficialmente, o Paraná tem três regiões metropolitanas (RMs): Curitiba, Londrina e Maringá. Na prática, somente a da capital funciona de forma efetiva, com recursos próprios. Nas outras duas ainda há muito por ser feito para que os municípios passem a atuar de forma integrada. Reportagem de Luciano Augusto e Wilhan Santin, que a FOLHA publica hoje mostra - citando exemplo de Maringá e Londrina - que a política atrapalha o desenvolvimento das metrópoles.
No início de 2010, de forma silenciosa, 12 municípios foram incluídos na Região Metropolitana da Cidade Canção - que já tinha 13 cidades - pela Assembleia Legislativa. O próprio coordenador daquela RM, Renato Cardoso Machado, reconhece que o ideal seria primeiro consolidar uma região menor e depois expandir.
Ana Lúcia Rodrigues, coordenadora do Observatório das Metrópoles, vinculado à UEM, ressalta que da forma como as regiões metropolitanas são tratadas no Paraná, a concentração de recursos acaba ficando nas cidades-polos. Aos municípios menores, privados de grandes investimentos governamentais, cabe somente mandar mão de obra para as grandes cidades.
Se os olhos do Estado não se voltarem para as outras regiões metropolitanas - Cascavel pode ser incluída -, muitos municípios nunca se desenvolverão, vivendo à sombra da metrópole e não fazendo parte dela ou sendo apenas dormitórios.
E não bastam soluções mirabolantes e uma ou outra grande obra estrutural. São necessários estudos e planejamento. Não é utopia imaginar um grande desenvolvimento uniforme nessas regiões, com todos ganhando. Londrina, Maringá e Cascavel já são reconhecidas como pujantes. Basta vontade política e inteligência.
Há exemplos de que as cidades menores podem caminhar com suas próprias pernas, como Santa Fé, onde as indústrias de facções garantem empregos e renda.





