Ortigueira Considerado o município mais pobre do Paraná e um dos mais pobres do Sul do País, Ortigueira cerca de 25 mil habitantes apresenta um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,620, segundo o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). A média no Estado é de 0,786, enquanto no Brasil é de 0,764.
Uma primeira medida para minimizar a situação já aconteceu: a população já faz parte do programa Leite das Crianças. Foi justamente o lançamento desse projeto que levou o governador ao município no início do mês passado. Mas Requião viu que a medida não era suficiente, tanto que voltou um dia depois com o secretário de Saúde do Estado, Cláudio Xavier, anunciando um plano emergencial.
Como acontece também nas maiores cidades, é na periferia que a situação de pobreza fica mais evidente. Na Vila Andradina, grande parte dos moradores não tem nem o que comer. A dificuldade já pode ser vista na própria entrada do bairro.
Uma rua de terra totalmente irregular e esburacada dá acesso ao local. As casas, cedidas pela prefeitura, são todas de madeiras, de chão batido, com dois cômodos e fossas. Entre uma tábua e outra há frestas de 2 a 3 centímetros. Nessas condições moram a dona Nair Ferreira e dois filhos pequenos. Ela conta que já sofreu tanto que não se lembra nem quantos anos tem. No rosto, as marcas da dura vida que leva.
Nair lava roupa em casa e faz faxinas em sítios vizinhos para tentar ganhar algum dinheiro. O mais surpreendente é o valor que ela consegue arrecadar no fim do mês: R$ 15 de cada uma das duas famílias para quem lava a roupa e R$ 3 de cada uma das duas para quem limpa a casa. Ela diz que sobrevive com pouco mais de R$ 30 por mês. ''O dia que tem o que comer a gente come, o dia que não tem não come, ué. Vou fazer o quê?''.
Segundo ela, a prefeitura ajuda cedendo casa e água, mas ela gostaria ainda de uma cesta básica. ''Quero trabalhar para ganhar o dinheiro e sustentar meus filhos, mas não consigo. Eles (a prefeitura) sabem que a gente precisa, mas não dão'', reclama. Além das duas crianças pequenas, ela tem mais duas filhas, que já são casadas. A moradia não possui energia elétrica e a família usa vela para iluminar a casa à noite. No quintal existe um pedacinho de terra onde dona Nair tenta plantar algumas coisas. ''Não dá nada. A terra não presta'', afirma.
A escola que atende as crianças da Vila Andradina tem apenas uma sala de aula, banheiro e cozinha. Os 24 alunos de 1 à 4 séries são colocados na mesma classe e uma professora ensina todos juntos. ''Divido a lousa em quatro partes e passo as matérias de cada série'', explica a professora Margareth Cristiane Zarpellão, 34 anos. Ela recebe um salário líquido por mês R$ 226, dos quais R$ 136 vai para o pagamento da faculdade de pedagogia.
A escola fornece merenda, que para muitas das crianças é a única refeição do dia. Mas o cardápio, elaborado pelo Departamento Municipal de Educação, não é muito variado. Na segunda-feira é servido arroz com frango; na terça, canjica; quarta, sopa de macarrão com frango; quinta, sopa de arroz com batata e na sexta bolo de fubá com chá. O detalhe é que apenas dois frangos têm que ser suficientes para a semana.

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