‘‘O automóvel é para pessoas frágeis’’ foi o título do ensaio vencedor de concurso promovido no Japão pela indústria automobilística Toyota nos anos 70 Fato bastante comentado na época, a Toyota ter premiado um trabalho que, em síntese, restringia o uso de produto que ela mesmo fabricava.
O autor, urbanista Atsushi Ueda, dizia que os automóveis deveriam ser utilizados pelos idosos e crianças, e não por adultos fortes e saudáveis que poderiam optar pelo transporte coletivo.
Hoje os automóveis continuam sendo símbolo de status e, além da comodidade, às vezes são uma necessidade, devido à pouca alternativa no sistema público.
Ressalve-se ainda que, sob o paradigma do sistema viário, as nossas cidades têm sido planejadas para favorecer e incentivar o uso do transporte individual. Avenidas e estacionamentos são construídos desrespeitando paisagens e o patrimônio histórico, e até mesmo aterrando lagos, causando deterioração em faixas importantes da cidade. A cada conquista do automóvel, o pedestre perde espaço.
Está em tramitação em Londrina, um projeto de lei destinando o terreno do pátio ferroviário a um estacionamento, a ser mantido por entidades assistenciais. Este tipo de concessão é inadequado pois o uso como estacionamento, desintegra ainda mais o local. A cerca e o aspecto de desolação que há de advir, em nada contribuem ao processo de revitalização que se propõe ao centro da cidade. O que restou do pátio ferroviário deveria ser cuidado como uma das áreas chave no processo de recuperação do centro, uma área nobre.
É importante que a administração rapidamente transforme o espaço em praça, ainda que momentânea, até mesmo compatibilizando como viveiro de mudas. Poderíamos anexar ao nosso parco repertório urbanístico, o termo Praça Temporária. Assim, terrenos vagos, terrenos abandonados, terrenos baldios poderiam ser transformados em praças temporárias, e aquelas de uso intenso e de aceitação pela comunidade serem efetivadas como Praças.
2002 poderia ser o ano de recuperação dos vazios, de intensificação na qualificação dos espaços livres, da des-privatização através da retirada de cercas que inibem e restringem o acesso àqueles espaços que deveriam ser essencialmente local de lazer da comunidade. Local de reflexão talvez.
Londrina poderia servir de exemplo a muitas outras cidades paranaenses.
HUMBERTO YAMAKI é arquiteto em Londrina e presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil/Departamento Paraná

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