Cidade do PR é referência em teste do novo Censo Agropecuário
Irati foi escolhida pelo IBGE por reunir modelos produtivos complexos, como o sistema faxinal
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de maio de 2026
Irati foi escolhida pelo IBGE por reunir modelos produtivos complexos, como o sistema faxinal
Folha de Londrina 
O município de Irati, no Paraná, é uma das localidades usadas como teste para o planejamento do 12º Cafa (Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola). Além dele, outras cinco cidades de diferentes regiões do país participam da prova piloto para identificar os possíveis obstáculos que os recenseadores do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) irão encontrar no desenrolar do trabalho.
O projeto inicial começou com a etapa de avaliação inicial do formato do questionário e do funcionamento dos dispositivos e aplicativos dos recenseadores. Já a segunda prova piloto, realizada pelo IBGE, até o fim desta semana, procura identificar os possíveis obstáculos do uso da tecnologia em áreas diferenciadas do país.
O objetivo é deixar tudo ajustado para a etapa seguinte, o censo experimental, fase derradeira prevista para dezembro e que marca o encerramento dos testes para o trabalho de campo. De acordo com o cronograma do governo federal, a coleta oficial começa no primeiro dia de junho do ano que vem.
Na região sul, além de Irati, participa da experiência Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Os outros municípios são: Barcarena (Pará), Uruçuí (Piauí), Rio Verde (Goiás) e Corumbá (Mato Grosso do Sul).
São municípios considerados pelo IBGE especialmente complexos, com modelos de produção e técnicas singulares em relação à agricultura convencional.
Em reportagem à FOLHA, Jorge Mryzcka, supervisor das Pesquisas Agropecuárias e coordenador técnico do Censo Agropecuário no Paraná, explicou que Irati está no rol principalmente pela presença do sistema faxinal no município. Os faxinais são áreas de uso comum onde um grupo de produtores cria os rebanhos soltos e compartilha lavouras para subsistência.
“Por ser uma situação muito diferente das propriedades rurais comuns, o IBGE precisa testar como identificar e registrar estes dados adequadamente.” A outra característica destas áreas, que se espalham pelo centro do hemisfério leste do Estado, é o extrativismo florestal de baixo impacto, com uma preocupação preservacionista passada de geração em geração nos últimos dois séculos, como apontam as pesquisas acadêmicas realizadas pelas universidades paranaenses desde os anos 1970.
Mesmo com este modo tradicional de lidar com a terra em parte do seu território, Irati consegue ter um bom desempenho na receita agropecuária. De acordo com dados da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento, o município faz parte do Clube do Bilhão, o grupo de elite entre os 399 municípios do Estado quando o assunto é o Valor Bruto de Produção. Soja, tabaco, feijão e cebola representam dois terços desta receita.
A escolha de Irati para integrar os testes do novo Censo Agropecuário não é casual. O IBGE reconhece a importância de um município que consegue unir tradição, preservação ambiental e força econômica no campo. Ao incluir realidades como a dos faxinais no planejamento nacional, o instituto demonstra que compreender a diversidade da produção rural brasileira é condição essencial para produzir dados mais precisos e políticas públicas mais eficientes.
Obrigado por ler a FOLHA!


