Qualquer atividade praticada pelo homem produz resíduos sólidos (industrial, doméstico, escolar) e o destino desse material se transformou em um grande problema para o planeta, a partir do aumento populacional e do crescimento desordenado das grandes e médias cidades. Como amenizar as consequências negativas para o meio ambiente é a questão que tira o sono de boa parte dos prefeitos. É um trabalho caro e o mais problemático é a conscientização da população para a importância da separação do lixo reciclável.

Nesse quesito, o município vem andando para trás. A cidade foi uma das pioneiras no Brasil a implementar o sistema de coleta seletiva, em 1996. O serviço já foi considerado modelo e referência nacional em razão da organização do trabalho dos catadores e volume coletado. Hoje, o serviço enfrenta problemas que vão desde a redução no montante de materiais reciclados até dificuldades na estruturação econômica e organizacional das cooperativas. Dos cerca de 28% de resíduos que a cidade chegou a reciclar no início dos anos 2000, atualmente apenas 6% são reaproveitados. O restante vai para o aterro sanitário, reduzindo sua vida útil e aumentando os custos da coleta de lixo para o município.

Esse cenário nada positivo foi mostrado por um estudo sobre resíduos sólidos domésticos desenvolvido pelo grupo de pesquisa Gestão de Resíduos Sólidos Recicláveis de Londrina, composto por nove alunos e 11 docentes dos departamentos de Administração, Biologia e Comunicação da Universidade Estadual de Londrina. O estudo teve como objetivo entender o contexto local da coleta seletiva.

Diante desses dados, os pesquisadores confirmaram que o londrinense não contribui adequadamente para o sistema. É claro que há entraves na logística. Faltam compradores para os diferentes materiais gerados pela coleta seletiva e também é preciso pensar no aprimoramento do modelo que envolve cooperativas no recolhimento. Mas a questão da conscientização é um forte empecilho. O estudo apontou que 94% dos resíduos gerados hoje em Londrina estão indo parar no aterro.

Se por um lado são realizadas poucas campanhas educativas para informar a população sobre a coleta seletiva, por outro percebe-se uma a ausência de comprometimento da sociedade. E a falta de engajamento do londrinense não é só com a questão ambiental. Um dos dados revelados pela VII Pesquisa de Percepção da População sobre a cidade de Londrina, divulgada nesta quinta-feira (13) pelo Fórum Desenvolve Londrina, trata justamente sobre isso. Ao questionar se cidadãos teriam interesse em se engajar em alguma causa para a cidade de Londrina, apenas 35,9% responderam afirmativamente. Um desafio a ser vencido, pois muitas mudanças que precisam acontecer para o desenvolvimento de Londrina devem ser construídas a partir do engajamento da população.

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