Eliete Francisco dos Santos, 28 anos, tomou uma decisão que julga importante. Fez laqueadura. Manter-se com os três filhos, Ricardo, 11, Rafael, 8, e Naiara, 7, já está difícil. O marido Eduardo, com quem vive há 12 anos, tem apenas um pulmão e não trabalha. Há três meses, a família saiu de Centenário do Sul (91km ao norte de Londrina) e instalou-se no mais novo barraco da invasão Nossa Senhora de Aparecida (zona norte).
Comida, nem todo o dia tem. ''As vezes, quando consigo arranjar, a gente come um macarrão puro'', comenta Eliete. ''Quando não tem comida, mando meus filhos pedirem aí na vizinhança. É o jeito''. Os filhos não estão na escola. A pequena Naiara, sorridente, faz a festa com as moedas que ganha. Os vizinhos ajudam como podem. Dão espaço para que Eliete lave algumas roupas e até mesmo cozinhe. Ela não tem condições de comprar a mangueira para levar água até seu barraco. Também não tem luz.
Já na casa da alagoana Maria José Conceição dos Santos, 25 anos, as lâmpadas estão acesas. De resto, a casa erguida com chapas gastas de madeira, erguida no Jardim Campos Verdes, bem no limite entre Londrina e Cambé, está longe do ideal. Falta água e comida. Boa parte do mês, a família sustenta-se com a cesta básica doada por uma ''moça da igreja''. Nunca tem carne, e nem sempre há alimento para os filhos de Maria: Grevison, 9 anos, Glecia, 7, Mateus, 2, e uma recém-nascida, Beatriz Camille, de um mês.
Na verdade são cinco. Sobraram quatro por causa de uma grande tristeza de Maria José. Quando Mateus tinha nascido, saiu com o garoto atrás de leite. O pequeno precisava ser nutrido. Acabou deixando os filhos em casa. Uma das filhas, que agora tem 4 anos, sumiu. A mãe diz que sabe quem a levou. ''Penso na minha criança todos os dias'', diz, emocionada.
Apenas os dois mais novos são paranaenses. Os demais vieram com a mãe e o pai do Nordeste. O casamento não deu certo, e agora Maria José passa o dia a cuidar das crianças. Na semana passada, ela ia cadastrar-se para o Bolsa Escola. Grevison e Glecia sabem escrever. Estão estudando, oportunidade que a mãe não teve.

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