Chupa-cabra com cheiro de bode
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de junho de 1997
Walmor Maccarini 
A notícia corre rasteira/ e com essa história das cabras/ tem gente ficando cabreira. Esse bicho, chupa-cabra/ está é com cheiro de bode./ Não dá prá saber/ se é cão ou se é lobo/ mas está nos jornais/ e até deu na Globo.
Tem gente que viu/ e diz que é chifrudo/, que não é delicado/ mas um casca-e-tudo/, que bebe o sangue/ e depois faz bochecha/, que come apressado/ e não chupa só a cabra/ mas também chupa os dentes/, que nem muita gente.
Já vimos duas luas/ e o buraco profundo.
Esse bicho peludo/ será o cadeirudo?
Será lobisomem/ ou será bicho-homem?
Boa coisa não é/ e nem de família
Mas ainda pior tem em Brasília.
Quem soltou este bicho?/ Sei não!/ Requião diz que é o Lerner/, este diz que é o Requião.
Cachorro do mato/ ou lobo-guará?/ Veio da Lapa/ ou de Paranaguá? Será leite-quente/ ou será pé-vermelho?
Vampiro de cabra/, um mutante da espécie
Virus crescido/, escapou das entranhas/ do computador/, desbancou até o Rex, do Jurassic Park/, que aquele também/ gostava de cabra/. Que coisa macabra!
Cabra e ovelha/, bode e carneiro/, são primos./ Um tem pêlo/o outro tem lã/, mas, data vênia/, isto é questão/ de lana caprina.
Se não é o chupa-cabra/ é o homem quem come/ a pobre da cabra/, o bode e o carneiro/, regados a vinho/ e a molho campeiro.
Já no ofertório/ se entregava o cordeiro
Mas pior que ser cabra/ é o triste destino/ de nascer bode preto...
Beber o leite da cabra/ (e agora até os sangue)/ tem sempre quem quer
Mas e o milho pro bode?
Chupa-cabra/ está presente/ e não se nota/, primo-irmão do sangue-suga/ veste a pele do agiota/ (o avulso e o instalado)/. Te pegou, cê tá ralado.
Há o que reza por bíblia/, mas cuidado: é da família!
Chupa-cabra é o burocrata/ carimbeiro cospe-tinta/, que te faz penar na fila/ seja jovem ou de idade/, mas se ele assim não age/ como mostra autoridade?
Chupa-cabra tem na Câmara/, na Assembléia/ e no Congresso/, em palácio e prefeitura/, em igreja e chefatura/, tem nos planos de saude/ tem no homem-lobisomem.
Tem cascos e tem rabo/ e é macaco bugio/, quem viu jura que viu/.
É louro e é barbudo/ e tem os olhos azuis.
Que tipo estranho de lobo!
Já se viu bicho assim?
Não se diz que/ se é brabo e ruim/ deve ser pixaim?
Esse cão sertanejo/ com cabra ele pode/, mas treme de medo/ diante do bode.
Meio assim é o homem/, quase tal qual/, em sua pelagem carnal.
Se é parente da cabra/ ele tem cavanhaque/, e se é do sul/ ou do norte/ é só ver o sotaque.
Se não é do outro mundo
Mas daqui
E não de lá
É bicho do Paraná!


