Choque de moralização na Assembleia
Auditoria, fechamento de gráfica, exoneração de comissionados, policiais militares fazendo segurança pública. O início da nova Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Paraná foi agitado anteontem. As reações intempestivas parecem ter sido desencadeadas após o novo presidente da Casa, Valdir Rossoni (PSDB), tomar medidas com objetivo de ''moralização''.
Medidas que são necessárias, na avaliação de cientista político Ricardo Oliveira, da Universidade Federal do Paraná. Em entrevista à FOLHA, o professor argumentou que a entrada da Polícia Militar no Legislativo é consequência de uma onda de irregularidades que a Casa vinha enfrentando. ''A Assembleia era um caso de polícia escancarado, um antro de criminosos'', completou.
Desde o ano passado a AL virou notícia nacional, depois de investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que culminaram na prisão do ex-diretor-geral Abib Miguel, entre outros servidores da Casa. Foram apontados desvios de cerca de R$ 100 milhões dos cofres do Legislativo.
Lidar com a coisa pública como se privada fosse é um dos males da política brasileira. E não é exclusividade paranaense. A classe que representa a população muitas vezes se esquece do seu papel: cuidar do interesse da coletividade.
A ''amnésia'' resulta em casos e mais casos de escândalos. São tantos que muitos já perderam a capacidade de se indignar. O ciclo vicioso se repete, como em um looping que não tem fim. E a população sofre na pele as consequências, com a falta de verbas para serviços básicos: saúde, educação, segurança...
Tentar dar mais transparência aos ritos, abrindo verdadeiras ''caixas de Pandora'' é o primeiro passo para moralizar um poder tão fragilizado. É o que o paranaense espera. Mas as promessas precisam deixar o parlatório e passar para a ação. Sob pena dessa nova legislatura repetir erros do passado e manter o alto grau de reprovação popular.





