Delfim Neto tem a seu crédito, por gestões quando ministro da área econômica no regime ditatorial, haver gerado um período de desenvolvimento que acabou ganhando o nome de ''milagre brasileiro''. Agora como deputado federal, em mandatos sucessivos e simpatizante do Governo Lula, ele sugere ao Presidente um programa governamental de déficit zero, ou seja, equilibrar receita e despesa, pela diminuição dos gastos públicos. A idéia, aprovada pelos empresários pela possibilidade de queda dos juros, já encontra resistência no meio parlamentar, porque significará cortar gastos também do Legislativo, em outras palavras diminuição de mordomias. Esse choque de gestão, previsto para ocorrer nos próximos cinco anos, compreenderia também a eliminação de ministérios e corte de pessoal, e, assim, a perspectiva de sobra de dinheiro resultaria na realização de obras. O projeto é ainda uma incógnita, por significar a redução drástica de verbas também nas áreas de saúde e educação, mas acena para o pagamento das dívidas e para a baixa dos juros, abrindo espaço para o desenvolvimento econômico. A idéia anima a classe empresarial, só pelo fato de reduzir o custo da máquina pública, por extensão das suas dívidas (interna e externa), mais a redução dos respectivos juros, assim como dos juros no geral. Há os que temem aumento do aperto fiscal, ou seja, baixa de gastos com aumento de impostos, como pretexto para investimentos. O projeto do czar da economia de quase todos os governos militares é um tratamento de choque, com prós e contras. Porém, se assinala para problemas, também aponta para soluções e justamente soluções é que faltam no atual Governo. O plano, se aprovado e as maiores barreiras estão dentro do Congresso, que não quer cortes orçamentários exigirá competência governamental. Ademais, se a meta é, também, a realização de obras, será necessário capacidade gerencial para bem aplicar os recursos, de forma a contemplar prioridades e realizar o mais possível com o mínimo de dinheiro. A vigilância sobre os superfaturamentos, que encarecem obras, será fundamental, mas não se imagina como isso iria ocorrer num sistema impregnado de vícios. Projetos mirabolantes precisariam ser evitados, para dar lugar a empreendimentos geradores de mais riqueza e de bem-estar geral. Eleger prioridades reclamará estratégias inteligentes, e este não é atributo muito encontrável na administração pública. Melhor do que o marasmo e o regime alimentado por gastos exorbitantes e por alta carga tributária para cobri-los tudo acompanhado de muita corrupção é ousar e adotar novas tentativas. O choque de gestão proposto por Delfim Neto pode ser um caminho de solução.

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