Primeiro os norte-americanos fazem uma volumosa venda de mísseis a Taiwan, depois correm atrás do prejuízo indo à China tentar apaziguá-la, como faz neste momento o secretário John Negromonte, face à reação chinesa ao aumentar o orçamento militar. Foi um aumento substancial de 45 bilhões de dólares para 2007, como resposta de defesa ante o robustecimento bélico (patrocinado pelos EUA) da China Nacionalista, um país-ilha de 23 milhões de habitantes separada da China Continental e hoje é uma nação poderosa economicamente. E que sempre interessou estrategicamente à velha China.
As relações voltaram a ser tensas entre China e Estados Unidos, e nesta briga de gigantes sobrarão farpas para o mundo, inquietando a comunidade internacional. Um novo poder, que pode conduzir à volta da equivalência bélica entre potências antagônicas - do tipo EUA e URSS - vai se desenhando com a decidida entrada da China nessa luta por hegemonias. No que já é senhora em produção industrial de uma grande quantidade de itens e em comercialização, e nesse campo nem sempre joga limpo. Desejando colocar um braço avançado em Taiwan - cuja não-anexação a China não tolera, e anuncia que nunca tolerará - os Estados Unidos cometeram a imprudência de cutucar o dragão com vara curta.
Se o arsenal bélico chinês ainda é baixo comparado ao dos Estados Unidos, já é o segundo, e deve-se atentar para a sua vigorosa ascensão industrial e comercial. Com os recursos financeiros de que dispõe, pode armar-se com a mesma velocidade, dependendo da intensidade em que for provocada e no que vier a abalar a segurança de seus 1 bilhão e 325 milhões de habitantes, população que em si mesma é um poder em produção e em consumo, atributos que o mundo dos negócios não despreza. Ao apoiar Taiwan, os EUA intensificam a ira da grande China, e isto, no mínimo, é uma imprudência. O vizinho Japão preocupa-se, mas também este país retoma anseios armamentistas, após abandoná-los com o revés da segunda grande guerra, que lhe custou duas cidades destruídas por bombas atômicas - obra americana.
Armar-se para a manutenção da paz é um paradoxo, mas é assim que a China se posiciona. Chineses e norte-americanos nunca se deram bem, desde a era Mao-Tsé Tung, e ambos são civilizações temidas por todo o mundo, não se podendo avaliar qual das duas é mais ameaçadora à paz e à segurança do planeta. Se o ardor belicista e intervencionista dos Estados Unidos é sempre uma ameaça à estabilidade mundial, uma China individualista e já dominadora no campo da indústria e do comércio se tornará muito pior se converter-se, também, numa gigante potência armada e realimentar ideais de guerra.

mockup