Chico Xavier e o Penta Valcir José Martins
O dia 30 de junho de 2002 ficará indelevelmente marcado na história do Brasil por dois acontecimentos: a conquista do Pentacampeonato pela Seleção Brasileira e a ''convocação'' de Chico Xavier, para voltar à Pátria Espiritual.
A conquista da Seleção é assunto, praticamente, esgotado. Quanto ao Chico, um ''craque'' da caridade, amor, solidariedade e humildade, cujo ''passe'' fora cedido para atuar, encarnado, no Brasil, e que teve a volta cuidadosamente preparada para ocorrer num dia de grande alegria.
Vejamos o texto a seguir do companheiro Jeferson Merlin Baggio, um estudioso da Doutrina Espírita, que assim se expressou, no dia seguinte: ''A sabedoria da sentença evangélica - a cada um será dado segundo suas obras - nos faz imaginar de como está sendo recebido este homem na verdadeira Pátria, a espiritual. Bom obreiro que foi, tinha pensamentos e ações fixas no trabalho a ser executado em prol dos carentes do material e sobretudo do espiritual. Foi bom e benevolente para com todos, sem distinção de raça ou de crenças, pois via todos como irmãos. Era indulgente para com as fraquezas alheias, colocando-se entre os pequenos, pois acreditava que ele próprio necessitava de indulgência. Respeitava nos outros todas as convicções sinceras e não lançava anátema aos que pensavam diferente. Seu trabalho era abençoado, tanto pela intenção, e esforço da alma do operário encarnado.
Chico Xavier jamais aceitou limitações para praticar o bem, fez do amor e da caridade, praticada com inteligência e abnegação incansável, sua razão de viver. Trabalhou com simplicidade, imprimindo em seus atos aquela naturalidade com que os pássaros gorjeiam e a dedicação com que fazem o seus ninhos. Não se preocupou com o peso ou grandeza de suas obras, tampouco se deixou impressionar com o tempo que empregou para produzi-las, sem se preocupar com recompensas, sempre inspirado e espelhando-se no Mestre Jesus, como modelo e guia.
Foram mais de 400 livros, tendo iniciado nesta seara no ano de 1927 e publicando em 1932 a primeira obra - ''Parnaso de Além Túmulo'' - com poemas recebidos, através de sua mediunidade, de 38 poetas desencarnados, entre eles Olavo Bilac e Castro Alves. A partir daí, foram muitos os escritos, mensagens, romances, releituras dos Evangelhos, estudos filosóficos e científicos que lhe seriam ditados por diversos espíritos. (Note-se que, pelo seu nível de estudos - primeiro grau- era impossível que o mesmo fosse o autor, sem a participação dos espíritos ou bagagem de outras encarnações).
Na cidade de Uberaba, fundou uma comunidade Espírita Cristã, e paralelamente às constantes visitas que fazia aos pobres, iniciou várias obras sociais. Vinha lutando há anos com sérios problemas pulmonares e cardíacos, sempre consolando, jamais reclamando, apesar do agravamento dos problemas de saúde e o peso da idade avançada. Foi internado várias vezes, ficando quase dois anos sem fazer o que mais gostava: atender as pessoas no Centro Espírita Casa da Prece, um templo onde recebia mensagens daqueles que estavam em outros níveis da vida. Tinha retornado, recentemente, aos trabalhos e apesar das dificuldades para caminhar, não faltava às reuniões de sábado, sempre com um sorriso para todos e um beijo, de agradecimento, na mão do visitante.
Este homem de bem que tinha, quando encarnado, uma fé inabalável no futuro, sempre colocou os bens espirituais acima dos materiais e por ter encontrado imensurável satisfação nos benefícios que distribuiu, nos serviços que prestou, nas venturas que promoveu, nas lágrimas que fez secar, nas consolações aos aflitos, teve sempre como primeiro impulso o de pensar nos outros e pelos outros, antes que em si mesmo. Agora desencarnado, com certeza é recebido com a festa que merece um evangelizador que foi a terras longínquas transmitir o evangelho do Cristo através da palavra e do exemplo, e retorna para continuar seu trabalho, onde se fizer necessário.''
A saudade, de todos nós, pela a ausência física, será compensada pelas graças que continuará distribuindo, com mais liberdade, sem as limitações do corpo material. Vá em paz, Chico.
VALCIR JOSÉ MARTINS é bancário aposentado e membro do Centro Espírita Jesus de Nazar, em Maringá.





