O esporte brasileiro fechou 2003 com chave de ouro e provou que na falta de uma política pública capaz de estimular a formação de competidores e o surgimento de talentos, a iniciativa privada e o próprio esforço dos atletas funciona como fórmula para tornar o País mais evidente nas pistas e nas quadras esportivas.
A conquista do primeiro e do segundo lugares na prova masculina da São Silvestre, na tarde do dia 31, por dois brasileiros, um deles do Paraná, representou a consolidação de um ano de muito sucesso. E foi, acima de tudo, a marca registrada de um trabalho bem feito e, de acordo com o nível dos competidores participantes, pautado na tecnologia esportiva. Os grandes vencedores da São Silvestre, graças aos seus patrocinadores, puderam passar por um treinamento específico para a São Silvestre, fora do Brasil.
Qualquer modalidade esportiva hoje em dia demanda muitos recursos, além da atenção necessária para os seus praticantes, com bolsas para o estudo, a alimentação, o convívio social e, enfim, para levar uma vida de alimentação balanceada e disponibilidade para os treinamentos. Londrina já formou bons atletas, inclusive na natação, e suas potencialidades só puderam ser trabalhadas fora do Paraná, a partir do interesse de patrocínio manifestado por grandes clubes brasileiros. Atualmente, na natação, dois deles são destaques, o veterano Rogério Romero e o novato Diogo Yabe, que até há cerca de três anos ainda defendia a Associação Cultural e Esportiva de Londrina, a Acel, clube que desativou sua equipe de competição a partir de uma crise financeira.
O exemplo da ginástica ritmíca, que passou a destacar o Brasil nas competições internacionais a partir de um trabalho sério também desenvolvido em Londrina, é outro exemplo de incentivo da iniciativa privada. Como o taekwondo, o beisebol, o futebol londrinense que agora forma atletas e tantas outras modalidades.
Ainda assim, a queixa não é a da omissão do poder público na manutenção de equipes caríssimas, pois a leitura que se tem é de que, nesse caso, sim, o papel fundamental é da iniciativa privada, pois o nome de uma empresa estampada na camiseta de um bom time de vôlei é uma forma inteligente de divulgação de uma marca, uma vez que torna o produto ou serviço ofertado, simpático e até querido.
O que falta no Estado é o investimento no trabalho de base. Não se nega que alguns projetos importantes já são desenvolvidos por prefeituras e governos estaduais. Mas ainda é pouco. Informou-se que o Paraná, por exemplo, passa a dar um novo impulso para os jogos escolares, de forma justamente a priorizar a formação de atletas. Talvez seja este o início de um projeto que torne a carreira esportiva muita mais fácil e justa para milhares de tantos que atualmente são desperdiçados.

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